Platão e o mito da caverna

A filosofia surgiu na Grécia antiga com Tales de Mileto no século 6 a.C. e teve na era pré-socrática uma rica e variada tradição, na qual a razão não era o elemento supremo. Com Sócrates isso mudou. Mas como Sócrates nada escreveu e Platão foi seu fiel discípulo por nove anos, coube a ele registrar e transmitir os pensamentos do mestre para os gregos e a posteridade.

Platão
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Estátua do filósofo grego Platão

Platão nasceu em Atenas em 428 a.C. sob o nome de Arístocles. Descendente de importantes famílias políticas da cidade, ele manifestou interesse por atividades bem distantes da política como o esporte e a poesia. Como lutador foi premiado nos Jogos Ístmicos, mas não conseguiu participar das Olimpíadas.  Tentou também ser um poeta trágico, mas seus textos poéticos não fizeram sucesso. Após esses fracassos, e antes de encarar uma carreira de estadista, como mandava a tradição familiar, resolveu conhecer a então nascente filosofia e foi ser um dos discípulos de Sócrates.

A paixão de Platão pela filosofia o fez seguir e absorver os ensinamentos de Sócrates. Logo após a farsa que forjou acusações, julgou e condenou Sócrates à morte, Platão deixou Atenas e empreendeu uma viagem de estudos que durou uma década. Nela conheceu, entre outros, os seguidores de Pitágoras, que o levaram a crer que os números continham a chave da compreensão do universo. A partir daí, Platão passou a acreditar que a realidade última era abstrata. Seu pensamento evoluiu então para aquilo que seria sua Teoria das Ideias (ou das Formas).

Para Platão, os seres humanos vivem como se estivessem em uma caverna escura. Eles ficam acorrentados de frente para uma parede branca, com um fogo atrás. As sombras projetadas nessa parede seriam o que chamamos de realidade. Segundo Platão, somente quando escaparmos da caverna será possível vermos a verdadeira realidade. Assim, tudo o que percebemos como real – dos nossos sapatos aos nossos governantes – nada mais é do que mera aparência. Para ele, a realidade está no reino das ideias ou das formas. Para o ser humano sair da caverna escura do cotidiano e alcançar a luz do dia que lhe aproxime da realidade, ele precisa, a partir do uso racional da mente, apurar as noções que tem das ideias universais e apreendê-las melhor.              

O reino das ideias universais imaginado por Platão possui uma hierarquia, que vai das formas menores até as ideias abstratas. Segundo ele, ao se concentrar na realidade perpétua das ideias, o ser humano avançaria progressivamente até conseguir uma apreensão ulterior e mística das ideias de Beleza, da Verdade e do Bem. Assim, em nosso cotidiano o que conseguimos perceber é o Bem aparente e somente com o uso da razão seria possível alcançar a ideia universal maior de Bem.

Quando iniciou o desenvolvimento de sua Teoria das Ideias, Platão estava passando uma temporada na Sicília, mais precisamente em Siracusa. Nesse período sua vida chegou a correr perigo como veremos na próxima página.