A pirataria marítima moderna

Os filmes e livros descrevem uma idéia romântica dos piratas clássicos, mas a pirataria moderna pode ser tudo, menos romântica. Em 2005, cerca de 300 navios foram atacados por piratas, mas o maior número de ataques registrado foi em 2003: 450. A maioria desses ataques aconteceu nas costas da Indonésia, Somália e Bangladesh. As autoridades também relataram que o Iraque está se tornando um local comum para a ação dos piratas. Os alvos mais comuns dos piratas modernos são os navios de carga, os porta-containers e os navios-tanque. Os navios são muito vulneráveis quando estão ancorados ou sendo carregados.

A pirataria aumentou durante os últimos anos por diversas razões:

  • as condições econômicas nas áreas propensas à pirataria levaram muitas pessoas a partir para este tipo de atividade ilegal e estas condições também impediram que os governos respondessem adequadamente aos relatos;
  • alguns comandantes de navios relutam em denunciar os ataques piratas porque isto pode conduzir a atrasos e custos. Em alguns casos, eles questionam a integridade e a eficiência das autoridades locais;
  • as companhias de navegação estão cortando o número de tripulantes para economizar dinheiro. Uma tripulação menor, torna-se menos capaz de reagir às ameaças e manter vigilância constante.

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Imagem do sub-oficial Kenneth Anderson da marinha americana,
cedida pelo U.S. Department of Defense

O navio americano USS Winston S. Churchill seguindo um barco suspeito de pirataria no Oceano Índico em 2006

A pirataria moderna envolve os mais diversos produtos, desde roupas, utensílios domésticos, remédios, livros, softwares e qualquer outro tipo de produto que possa ser copiado.

Os piratas modernos usam algumas das mesmas táticas dos piratas da Época Dourada. Eles geralmente atacam os navios à noite, pela popa, usando ganchos e cordas para a abordagem antes que alguém perceba e dispare o alarme. No entanto, os piratas modernos não estão sempre à procura da carga do navio, pois para vender grandes quantidades de produtos é necessário acesso a mercados que aceitem estas mercadorias. Ao invés disso, os piratas roubam a tripulação, levando bens pessoais de valor como eletrônicos e outros produtos. Além disso, alguns navios mantém em cofres grandes quantias de dinheiro para pagar por suprimentos e compensar taxas de câmbio. Estes cofres podem ser alvos tentadores para os piratas.

Na maioria dos casos, estes ataques acontecem perto da costa e os piratas usam lanchas pequenas e velozes, mas alguns ataques têm ocorrido a até 750 quilômetros da costa. Nestes casos, as autoridades suspeitam que navios menores têm trabalhado em conjunto com um navio maior que carrega combustível, suprimentos e munição. Uns poucos ataques com canoas também têm acontecido quando o navio está muito perto da costa.

Os piratas modernos também se armam: usam facas, revólveres, metralhadoras, granadas e lança foguetes. Eles costumam ameaçar e roubar a tripulação, fazendo reféns e abandonando as vítimas em ilhas. Eles podem também transferir a tripulação do navio para o barco de ataque e partir com o navio inteiro e a carga. O uso da tecnologia também é feita pelos piratas no monitoramento das comunicações entre os navios e os portos para determinar os melhores alvos e planejar o ataque.

Os piratas modernos têm a sua base de operações em terra. Os poucos que seguem a carreira de pirata precisam ter acesso aos mercados que compram estes produtos roubados. Eles também têm que ter uma estrutura, armas e equipamento de vigilância. Os piratas que roubam navios inteiros têm que achar portos onde as autoridades não estejam tão atentas a essas atividades ilegais. Nestes portos, os piratas registram o navio novamente com nome e identificação falsos, criando assim um navio fantasma para uso em atividades ilegais.

Felizmente, existem ferramentas e técnicas para evitar e se prevenir de ataques piratas. Um sistema de satélite chamado ShipLoc permite que as companhias de navegação monitorem a posição do navio. Isto pode ser muito útil se os piratas seqüestrarem ou roubarem o navio. As companhias podem também instalar cercas elétricas não letais em volta do perímetro do navio, desde que ele não esteja carregando carga inflamável. Além disso, as leis da International Maritime Organization requerem que os navios sejam capazes de enviar sinais de socorro ou alarmes silenciosos, no caso de um ataque.

Para prevenir um ataque pirata, a tripulação deve:

  • evitar conversar sobre a rota do navio ou da carga enquanto estiver no porto;
  • manter vigilância constante em áreas propensas a pirataria;
  • evitar engarrafamentos no transporte entre terminais;
  • vasculhar o navio antes de partir do porto para conferir se não existem pessoas sem autorização a bordo.
A melhor defesa contra os ataques dos piratas é a evasão. É mais fácil evitar que os piratas subam no navio do que forçá-los a sair. No caso da aproximação de piratas a tripulação deve:
  • pedir ajuda e alertar os outros navios na área;
  • tomar medidas evasivas e tentar fugir dos ataques;
  • soar o alarme, usar as luzes do navio para iluminá-lo e fazer o que for possível para deixar claro para os piratas que eles perderam o elemento surpresa.
Se os piratas se aproximarem do navio, a tripulação deve tentar se livrar dos ganchos ou cordas que eles utilizam para subir no navio. A tripulação também pode usar as mangueiras de incêndio para deter os piratas ou tentar empurrá-los para fora do navio. Entretanto, os especialistas não aconselham a tripulação a portar armas de fogo, porque a presença de armamento pode encorajar os piratas a responderem com violência.

Se os piratas conseguirem entrar no navio, a prioridade da tripulação é a segurança pessoal. A tripulação deve tentar manter o controle e encorajar os piratas a partir. 

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