Separar fatos de opiniões pode ser difícil, porque os mesmos fatores são usados em ambos os lados do debate para apoiar seus pontos de vista. Adversários da criação de perfil racial citam a disparidade entre a porcentagem de presidiários negros nas prisões dos EUA e a porcentagem da população geral negra como um sinal de que negros são, injustamente, alvos de policiais. O Censo 2000 indica que negros representam 12,3% da população americana, ao passo que estatísticas do Departamento de Justiça dos EUA indicam que aproximadamente 40% de todos os prisioneiros são negros [ref (em inglês)]. Uma disparidade similar pode ser encontrada entre hispânicos. Mas alguns sugerem que essas estatísticas somente indicam que negros e hispânicos têm mais probabilidade de cometer crimes.
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Análises estatísticas são ainda mais difíceis. De acordo com as pessoas que dizem que não existe perfil racial, existem muitas variáveis que precisariam ser levadas em consideração para comparar, com exatidão, as populações gerais às populações nas prisões. Mesmo que as paradas, as buscas ou apreensões nas estradas sejam analisadas por raça, essas estatísticas podem estar distorcidas, porque policiais fazem mais paradas em horários em que as minorias estão dirigindo, ou as minorias devem ter uma maior tendência para violar leis de trânsito. Taxas mais altas de acidentes e fatalidades são normalmente citadas como uma evidência desse fato. Advogados também apontam que, se o racismo fosse o centro das taxas de busca e apreensão das minorias, policiais que fazem parte das minorias teriam estatísticas diferentes das dos policiais brancos. De fato, policiais negros param o mesmo número de motoristas negros que os policiais brancos [ref].
No julgamento, os policiais foram absolvidos de quaisquer acusações resultantes do incidente. Mais tarde, os pais de Diallo ganharam $ 3 milhões de dólares em uma ação ordinária contra a cidade. |
O mais famoso caso de perfil racial sistemático foi divulgado em Nova Jersey em 1999. Uma análise das práticas da polícia de Nova Jersey foi conduzida pelo Procurador Geral do Estado, revelando que negros e hispânicos foram parados e revistados muito mais vezes do que motoristas que não pertenciam às minorias. Na verdade, 80% de todas as paradas de trânsito conduzidas pela polícia de Nova Jersey durante um período de 10 anos foram de motoristas pertencentes às minorias. O relatório também concluiu que uma cultura elitista e machista existia nos postos de polícia estaduais [ref (em inglês)]. Embora as políticas dos departamentos de polícia proíbam oficialmente o perfil racial, relatórios de muitos policiais indicam que era comum que veteranos "instruíssem" outros policiais nessa prática. Autoridades determinaram monitores federais para os policiais. Em 2006, um relatório sugeriu que Nova Jersey tinha eliminado ações de criação de perfil racial completamente, mas, se a polícia local ainda precisa de monitores federais ou não, é discutível.
O escândalo de Nova Jersey trouxe à tona as práticas de criação de perfil que existem no país. Apesar de os materiais de treinamento da Agência de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA) indicarem que o perfil racial é imoral e contra as regras da agência, a inteligência da DEA passada para agentes e departamentos de polícia normalmente continha informações sobre a nacionalidade de prováveis suspeitos, bem como dados raciais [ref]. O departamento judicial do governo de Nova Jersey publicou uma declaração, dizendo que de forma nenhuma policiais deveriam usar a raça como fator durante qualquer etapa do processo de parada e investigação de um possível suspeito. Na essência, policiais deveriam fechar os olhos para a raça, etnia e cor de pele (exceto quando estivessem tentando comparar uma pessoa à descrição de um suspeito específico).
Políticas de departamento devem ajudar policiais, examinando tendências em atividades criminais. No entanto, elas enfrentaram a conseqüência inesperada de criar uma situação hostil para membros de minorias que eram inocentes. Tais políticas seriam consideradas violações de direitos civis, e muitos departamentos de polícia adotaram políticas declarando especialmente essa prática como ilegal. Vinte e dois Estados americanos possuem leis (em inglês) proibindo a criação de perfis raciais de motoristas.