Para muitos desses céticos, o principal argumento contra a percepção extra-sensorial é o de que ela não faz nenhum sentido. Como vimos anteriormente, a existência do fenômeno da percepção extra-sensorial vai contra as conhecidas "regras" do universo, como apóiam inúmeros experimentos científicos. Os céticos afirmam que, por mais que queiramos acreditar nela, a percepção extra-sensorial é simplesmente extraordinária demais para ser aceita sem provas igualmente extraordinárias.
Dizem ainda que as evidências de histórias relatadas e muito difundidas sobre a percepção extra-sensorial com certeza não são extraordinárias, não quando se considera o amplo cenário. Para a pessoa comum, um sonho ou uma sensação que se realiza, com detalhes precisos, parece surpreendente demais para ser uma simples coincidência. Mas se você olhar do ponto de vista de um estatístico, isso é muito menos incrível. Há mais de seis bilhões de pessoas no planeta, constantemente pensando e vivendo dezenas de acontecimentos significantes todos os dias. Estatisticamente, em qualquer dia, algumas das coisas pressentidas por certas pessoas irão se aproximar de algumas das experiências vividas por elas. Durante toda a sua existência na Terra, isso sem dúvida acontecerá com você de vez em quando. Os céticos declaram que, adicionando a isso o desejo de uma pós-vida, não é de se estranhar que grande parte da população se iluda acreditando em fenômenos psi.
As chances de um acerto aumentam ainda mais quando se considera a capacidade da pessoa fazer adivinhações pensadas e instruídas. Por exemplo, a aparente previsão de Morgan Robertson a respeito do desastre do Titanic parece menos incrível quando se sabe que ele havia sido um marinheiro que conhecia bastante a moderna tecnologia dos navios. Os céticos afirmam que seu livro adivinhou de maneira correta detalhes do verdadeiro navio e da batida, porque ele tinha um bom conhecimento sobre como um navio daquele seria construído, como teria problemas e o que aconteceria em tal cenário.
De modo semelhante, algumas pessoas parecem possuir poderes paranormais, quando na verdade só têm uma intuição elevada. Seus cinco sentidos estão constantemente colhendo informações, e o cérebro está sempre as processando em um nível de inconsciência. Algumas pessoas são peritas em analisar informações aparentemente irrelevantes e juntar as peças para fazer adivinhações altamente precisas. Por exemplo, você pode saber de modo inexplicável quando alguém está mentindo, pois inconscientemente você reconhece variações sutis na expressão facial ou no tom de voz.
Muitos dos que acreditam na percepção extra-sensorial opõem-se a esses argumentos com a declaração de que verdadeiras visões paranormais não são pensamentos do dia-a-dia, mas revelações raras facilmente distinguíveis do pensamento comum de uma pessoa. Eles argumentam que, considerando-se essas visões especiais, a explicação de coincidência não se sustenta. Afirmam, ainda, que a teoria da adivinhação instruída pode explicar muitas revelações aparentes, mas não todas.
Em todo caso, é evidente que a natureza humana leva as pessoas a se focarem em alguns casos de extraordinária coincidência, como evidências de algo sobrenatural, enquanto ignoram completamente os milhares de sonhos e visões que não se aproximam da realidade de nenhuma maneira notável. Fora de contexto, os acertos individuais são muito impressionantes, ainda mais se você começar a se lembrar de maneira incorreta dos seus pensamentos, assim eles corresponderão mais de perto com a realidade. Se isso considera ou não todos os supostos fenômenos de percepção extra-sensorial, é mais provável que considere muito disso.
Mas, e quanto aos indivíduos da pesquisa e aos proferidos paranormais que demonstraram suas habilidades acima dos níveis determinados? Na seção seguinte, veremos a resposta dos céticos a esses dados.