Como se vê, há alguns dados científicos que apóiam essa crença. Em certo número de experimentos duplo-cego (em inglês), cientistas monitoraram um grupo controle de pacientes que não recebeu orações e um grupo experimental que recebeu. Os resultados foram misturados, mas alguns estudos indicam uma correlação entre a oração e a recuperação. Para mais informações, veja Uma oração antes de morrer (em inglês) e Estudo não produz nenhuma evidência de eficácia médica da oração intercessora à distância (em inglês) para duas diferentes visões. |
Há dezenas de histórias famosas, a maioria não tão bem documentada, detalhando maiores ou menores exemplos de aparente percepção extra-sensorial no mundo inteiro. Porém, da mesma forma que essas histórias são atrativas para os crentes, são limitadas para os cientistas, pois ocorrem em um ambiente não controlado. Para, efetivamente, demonstrar algo com evidências concretas, os cientistas precisam conduzir experimentos estruturados em laboratórios e em condições bem controladas.
Desde os anos 30 do século XX, parapsicólogos do mundo inteiro têm feito apenas isso. J.B. Rhine, freqüentemente chamado de pai da parapsicologia, estava por trás de uma das primeiras e mais famosas tentativas, os experimentos das cartas Zener. As cartas Zener originais (com nome de seu planejador, Karl Zener) eram um baralho de 25 cartas brancas comuns. Cada uma era pintada com um dos cinco modelos distintos. Cada baralho continha cinco cartas de cada modelo, assim qualquer um teria uma chance em cinco de adivinhar corretamente o modelo de qualquer carta em particular.
![]() Os modelos de desenhos das cartas Zener |
O experimento era simples: Rhine pedia que o sujeito adivinhasse qual era o modelo de cada carta e registrava o resultado. Na média, a adivinhação aleatória levaria a cinco acertos por baralho de 25. Rhine concluiu que a precisão consistente acima desse nível, sem fraudes, indicaria capacidade de percepção extra-sensorial.
A comunidade científica estava certamente surpresa, e muito incrédula, quando Rhine declarou em seu estudo, "Percepção Extra-Sensorial" (em inglês) que alguns daqueles sujeitos adivinharam corretamente acima dos níveis esperados. Muitos contestaram os métodos de Rhine e sua credibilidade, mas em geral ele foi considerado um legítimo e verdadeiro cientista.
Nos anos seguintes ao trabalho pioneiro de Rhine, centenas de parapsicólogos conduziram experimentos semelhantes, às vezes com os mesmos resultados positivos. A maioria desses pesquisadores trocou os rígidos modelos das cartas Zener por imagens mais ilimitadas, como pinturas e fotografias. Em um experimento, um "emissor" concentra-se em uma imagem em particular (um alvo) e tenta transmiti-la telepaticamente a um sujeito isolado. O "receptor" descreve o que enxerga em sua mente enquanto a equipe de pesquisadores registra suas impressões. Ao fim da sessão, o receptor tenta escolher o alvo correto em uma coleção de imagens criadas a partir das impressões.
Em experimentos com alvo ganzfeld (alemão, para "campo total"), desenvolvidos nos anos 70 do século XX, o receptor é desprovido de informações sensoriais para facilitar o foco em mensagens de percepção extra-sensorial. O indivíduo deita em uma sala com uma fraca luz vermelha, ouvindo ruído branco, com os olhos cobertos (por bolas de ping pong divididas ao meio, no experimento convencional). Na maior parte do tempo, nesses experimentos, os receptores passaram longe nas adivinhações, mas alguns descreveram as imagens alvo com detalhe surpreendente. Há vários exemplos de acertos incríveis em Investigador PSI: o experimento ganzfeld. Em experimentos semelhantes, planejados para testar só a clarividência, e não a telepatia, não há emissor, apenas um receptor.
Em um outro experimento popular, os sujeitos tentam influenciar uma máquina, como um gerador de números aleatórios, com a própria mente. Muitas vezes, os pesquisadores perceberam que os indivíduos parecem ter alguma influência sobre o comportamento da máquina, embora bem pequena.
Muitos parapsicólogos dizem que suas descobertas indicam a existência da percepção extra-sensorial, mas os céticos estão longe de serem convencidos. Na seção seguinte, veremos alguns dos argumentos contra as alegações de evidência de percepção extra-sensorial.