A história da Pedra de Roseta

Autor: 
Candace Gibson

A mensagem gravada na Pedra de Roseta não tem a importância das línguas em que foi escrita. A Pedra data de 27 de março de 196 a.C. e traz um decreto feito por padres egípcios, endossando o faraó como um ótimo e honesto governante e respeitoso seguidor dos deuses egípcios [fonte: BBC (em inglês)]. Escrito abaixo do decreto, está uma ordem instruindo como a mensagem deveria ser compartilhada. Os padres claramente queriam que a mensagem fosse disseminada, por isso, solicitaram que fosse escrita em três línguas e entalhada na pedra.

Egyptian hieroglyphics
Fotógrafo: Rraheb |Agency: Dreamstime.com
Hieróglifos Egípcios

Por si própria, a Pedra de Roseta não é mais extraordinária do que qualquer outra estela de sua época. Mas sua preservação nos ajuda a entender o passado do Egito e mudanças de governo durante o período greco-romano, quando o Egito era governado pelos macedônios, ptolomeus e romanos. Os faraós, dos quais a última foi Cleópatra, seriam sucedidos por cristãos coptas, muçulmanos e otomanos, entre os anos 639 e 1517d.C [fonte: BBC (em inglês)].

Governos tão diferentes causaram mudanças em todos os aspectos do estilo de vida dos egípcios, sendo a língua escrita o mais aperente. As novas regras trouxeram novas religiões e antigos deuses foram substituídos por novos. Como resultado, a mais sagrada das escritas, os hieróglifos, foi substituída também.

Mais do que um apelido
O programa de tradução da Pedra de Roseta escolheu este nome baseado em sua capacidade de revelar os segredos de outras culturas através do conhecimento de línguas.[fonte: Cleveland MOA (em inglês)].

Durante séculos, os egípcios registraram sua história em hieróglifos. Caracteres sagrados reservados para mensagens religiosas ou políticas, os hieróglifos eram usados em inscrições de tumbas, templos e outros monumentos. Devido ao fato de os hieróglifos serem uma língua tão sagrada e confusa, os egípcios criaram o hierático, uma espécie de versão abreviada da linguagem. O hierático era usado para registrar decretos governamentais e transações comerciais, não sendo utilizado para fins religiosos.

No período ptolomaico, quando a Pedra de Roseta recebeu suas inscrições, os egípcios recorreram ao demótico, versão ainda mais simplificada dos hieróglifos. Ao solicitarem que o decreto da Pedra de Roseta fosse escrito em três idiomas, os padres asseguraram que todo o Egito seria capaz de decifrá-lo [fonte: Harvard].

E, até o 4º século d.C., a mensagem da Pedra de Roseta pôde ser completamente decifrada. Mas, com a expansão do cristianismo no Egito, os hieróglifos foram abandonados pela sua ligação com os deuses pagãos. O demótico não era considerado uma língua tabu como os hieróglifos, mas acabou se modificando e passou a se chamar cóptico. O cóptico era baseado nas 24 letras do alfabeto grego, assim como alguns caracteres do demótico, para fonemas egípcios não existentes no idioma grego.

Quando o arábico substituiu o cóptico, o último resquício dos hieróglifos finalmente desapareceu. Mais de mil anos de história do Egito ficaram perdidos na tradução. O Egito abriu caminho não somente para um novo idioma mas também para uma nova política e religião. Os templos sagrados com inscrições em hieróglifos perderam a importância para os egípcios ou seus governantes. Templos foram desocupados e demolidos para que seus destroços pudessem ser usados em novas construções. Em meio ao entulho, a Pedra de Roseta foi encontrada e reconstruída como parte de uma parede.

A Pedra de Roseta seria ressuscitada mais tarde, quando a civilização sucumbiu e uma nova foi erguida em seu lugar. Somente então sua importância foi descoberta. Na próxima página, vamos falar sobre acontecimentos que levaram ao descobrimento da Pedra de Roseta e sobre o propício incidente que a revelou.