O governo e a polícia

Ônibus incendiado pelo PCC
Agência Estado
Ataques em massa conseguiram
ser reprimidos até o momento

No início, o governo não acreditou e isso ajudou o PCC a crescer com tranqüilidade dentro e fora das cadeias. Só em 18 de fevereiro de 2001, quando o PCC fez sua primeira mega-rebelião o governo se deu conta da existência da facção, admitindo que ela existia e ordenando a polícia paulista que identificasse seus líderes e passasse a combâte-los. Era “quase” tarde demais. A facção já era um gigante e tinha estendido seus tentáculos em quase todos os presídios e também para fora das grades.


Os delegados encarregados da missão passaram horas, dias e meses levantando tudo, investigando tudo e concluíram que a facção tinha sido a responsável por diversos crimes, como seqüestros, assaltos a bancos e carros fortes, tráfico de drogas, assassinatos. Descobriu que eles tinham um caixa central para onde ia o dinheiro arrecado e que sua estrutura funcionava como o organograma de uma empresa, com os chefões do topo e seus asseclas abaixo, em diversas funções. Bandidos ligados a facção, aqui do lado de fora, começaram a ser presos. Bandidos que estavam nas cadeias foram tirados para prestar depoimentos e explicar como a facção agia. Uma entrevista coletiva foi marcada na sede do Deic – no Carandiru, Zona Norte de São Paulo – que contou com a presença do delegado geral da Polícia Civil de São Paulo e do Governador do Estado. Á imprensa, os policiais apresentaram um organograma com os nomes dos chefões e de seus subordinados. Esclareceram os tipos de crimes praticados pela facção.

A partir daí, o PCC passou a ocupar as manchetes diariamente. Estava nas TVs, nas rádios, nos jornais e revistas. Fosse por mais um crime audacioso cometido por eles, fosse por uma nova prisão de um de seus afiliados.
O Serviço de Inteligência das Polícias – civil e militar – também funcionou no combate aos criminosos. Por meio de escutas telefônicas – autorizadas pela Justiça – ouviram e gravaram as conversas de muitos integrantes do PCC que estavam nas cadeias ou nas ruas de São Paulo. Assim descobriu e evitou que crimes fossem praticados, prendendo mais pessoas e mandando integrantes do PCC que apareciam nas conversas, para presídios de segurança máxima.

A polícia também descobriu que o PCC usava um sistema de telefonia, chamado de Centrais clandestinas do PCC – que permitia a conversa de presos, através de um PABX, entre cadeias ou com o mundo externo. Várias destas centrais foram “estouradas” pela polícia e muitas pessoas foram presas.

Infelizmente, neste meio tempo, alguns policiais mudaram de lado e se aliaram ao PCC, ajudando os criminosos. Outros, ao encontrar bandidos da facção, ao invés de prendê-los, cobravam altos valores para que eles continuassem em liberdade. Em alguns casos, além do dinheiro, ainda ficaram com a droga encontrada com os bandidos.

Mas, em sua maioria, a polícia agiu bem e freou, em boa parte, as ações do PCC. Os delegados Ruy Ferraz Fonte e Edson Santi, do Deic, foram responsáveis por muitas prisões de “importantes” figuras da facção. O delegado-chefe da Delegacia Anti-Sequestro, Wagner Giudicce também conseguiu prender dezenas de seqüestradores ligados ao PCC, diminuindo muito esta modalidade de crime em São Paulo.

Junto com o Ministério Público, através de combatentes promotores, fez um levantamento de várias contas fantasmas do PCC, seqüestrando o dinheiro delas, e conseqüentemente, esvaziando os bolsos da facção.

A Justiça também colaborou, autorizando as escutas telefônicas, agilizando ordens de prisão. Em uma decisão inédita um juiz de São Paulo decretou o seqüestro dos bens de um bandido ligado ao PCC e determinou que parte do dinheiro encontrado na contado do bandido fosse dado à família de uma das vítimas da facção, um bombeiro, morto pelo crime organizado durante a onda de ataques do PCC.

Enfim, as autoridades têm ajudado a reprimir as ações, mas até quando vai o PCC? Não é possível responder. É fato que após a ação direcionada da polícia, a organização criminosa acabou enfraquecendo. mas foi pouco e insuficiente. Os crimes ligados ao comando continuam e os afiliados a eles não páram de crescer. Nas cadeias, os celulares continuam à vontade, facilitando a vida de quem é ligado ao crime.

Além disso, é preocupante a “maquiagem” instaurada, num acordo silencioso da mídia. Algumas emissoras de TV e rádio e até alguns dos grandes jornais aconselham seus repórteres a não usar a palavra PCC, substituindo-a por “quadrilha” ou “facção criminosa que atua nos presídios”. Dizem, para justificar, que o intuito é o de não “glamourizar” o crime organizado. A questão é que, em 2007, o PCC continuava atuando e as autoridades combatendo numa velocidade, menor que o seu crescimento.