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O dinheiro do PCC
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O dinheiro do PCC
Dinheiro do crime serve para o crime. Em livros-caixas encontrados pela polícia, a “contabilidade” do PCC mostra que parte do “lucro” é destinado para compra de armas para abastecer as quadrilhas que agem aqui fora e, é claro, para comprar mais drogas e continuar gerindo os “negócios”.
Outra fatia do bolo serve para pagar os salários dos Torres e Pilotos recebem verba mensal para exercer a função. São salários consideráveis que vão de R$ 3 mil a R$ 10 mil, dependendo do faturamento do mês, pago pelo caixa do PCC.
Parte do dinheiro do PCC é aplicado em “funções sociais”, como a compra de cestas-básicas para familiares de presos que estão passando necessidade e o pagamento dos ônibus que são fretados para levar familiares de detentos as prisões nos finais de semana para a visita. Os integrantes do comando também tem que pagar uma mensalidade. Em 2007, o "mensalão do PCC" cobrava de seus "associados” presos: R$ 50. Para os presos em regime semi-aberto (que podem sair de dia e tem que voltar a noite para a cadeia) a mensalidade era de R$ 250. Já os que estavam em total liberdade tinham que pagar R$ 500 por mês, já que os dirigentes da facção entendem que quem está fora do sistema, em liberdade, tem condições de colaborar com um valor maior porque têm mais facilidade em conseguir dinheiro, seja trabalhando honestamente ou roubando.
Uma outra parte da grana é usada numa espécie de “programa assistencial” criado em favelas de São Paulo, onde a facção tem pontos de vendas de drogas. Batizado de “Ajuda da Correria para o Social”, o “programa” distribui leite, gás e cestas básicas a famílias que moram nestas favelas. Uma espécie de “troca”: a gente vende a droga, vocês ficam quietinhos (não denunciam a polícia) e nós damos o “troco”. As famílias interessadas em receber a “ajuda” são cadastradas pelos soldados da facção. Também faz parte do “pacote social” a compra de remédios e enxovais para bebês.
Outra forma de arrecadação de dinheiro é a rifa do PCC, que corre todos os meses. A loteria do crime é vendida nas cadeias, num sistema de rodízio (a cada mês 10 cadeias fazem a loteria). Cada número custa R$ 15 e cada detento ligado ao PCC tem que comprar pelo menos três bilhetes. Familiares também compram e, em alguns casos, revendem aqui fora. O resultado é o que der no concurso oficial da Loteria da Caixa Econômica Federal. Quem ganhar o primeiro prêmio leva um apartamento no valor médio de R$ 70 mil. O segundo prêmio é uma TV Plasma.
O PCC também faz “empréstimos” aos detentos. Quem for filiado e estiver precisando de grana é só pedir que o dinheiro está na mão sem necessidade de avalista. Mas tem que pagar se não, morre. Aliás o PCC também paga velórios e enterros de seus integrantes mortos dentro ou fora dos presídios. Dependendo da “importância” do indivíduo e de sua “contribuição” criminosa a facção quando vivo, o valor gasto com o caixão, velas, coroas e faixas pode chegar a R$ 5 mil .
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Para citar corretamente este artigo do HowStuffWorks por favor copie e cole o texto abaixo:
Fátima Souza. "HowStuffWorks - Como funciona o PCC - Primeiro Comando da Capital". Publicado em 04 de dezembro de 2007 (atualizado em 09 de setembro de 2008) http://pessoas.hsw.uol.com.br/pcc3.htm (24 de novembro de 2009)