A festa do boi de Parintins

Durante os três dias de festival, os bois Garantido e Caprichoso revezam por cerca de três horas na arena do bumbódromo. São 3.500 representantes de cada lado. A apresentação se baseia na tradicional história do boi-bumbá (veja box), sendo a apoteose a morte do boi. Mas diferente dos bois de outros estados brasileiros, as fantasias, o tema das músicas e as coreografias têm forte influência indígena. O curandeiro que salva o boi é um pajé, as roupas dos participantes contam com cocares, penas e pinturas estilizadas no corpo.

Tênis
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Modelos de tênis criados com as cores de cada um dos bois -
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Os blocos também mostram aspectos genuínos da cultura amazônica. Aparecem caçadores, caciques, regatões, canoas, misturando passado e presente, além das lendas amazônicas como a cobra grande, o boto, a matinta-pereira. Também é possível, por exemplo, ver temas de grande atualidade como as crianças que remam em suas canoas para pedir esmola aos passageiros dos grandes barcos que cruzam o rio Amazonas ou a figura do líder dos seringueiros Chico Mendes, assassinado no Acre em 1988.

A fábula do boi

As várias festas de boi-bumbá no Brasil recriam uma fábula rural. É a história de pai Francisco e mãe Catrina. Grávida, mãe Catrina tem desejo de comer língua de boi. Mas não de qualquer um, tem que ser do melhor boi da região. Assim, pai Francisco acaba arrancando a língua do melhor boi do seu patrão, que acaba morrendo. Furioso, o patrão vai atrás de Francisco e o prende. Um curandeiro ou padre ou médico ou pajé é chamado para salvar o boi. Com o boi curado e vivo, o patrão acaba perdoando Francisco.

Como no carnaval, o boi tem uma porta-estandarte que leva a bandeira da agremiação. Há também o levantador de toadas que faz o mesmo papel do puxador do samba-enredo. A batucada, equivalente a bateria das escolas de samba, conta com 400 integrantes com muita percussão.

Outros personagens fixos das apresentações são:
Rainha do Folclore – que aparece junto com os blocos com figuras típicas do folclore regional.
Cunhã-poranga – cujo significado é mulher bonita, é a musa da agremiação.
Amo do Boi - é o fazendeiro do boi morto. Na alegoria de Parintins, tem a função de exaltar seu grupo e provocar o boi contrário com versos desafiadores.
Sinhazinha da fazenda – é a representante da cultura branca e européia. Costuma acariciar e dar sal ao boi.
Pai Francisco e Mãe Catrina – os condutores da trágica história do boi.
Boi-bumbá – é o mais importante representante do espetáculo, tem uma coreografia exclusiva.
Pajé – é o curandeiro.


Público
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População de Parintins quase chega a dobrar durante as festividades


Outro ponto importante nas apresentações é a participação da torcida ou galera. Meses antes, a torcida começa a aprender a coreografia do seu boi do coração e dança quando ele se apresenta. Por uma questão de respeito mútuo, durante a apresentação do boi concorrente toda a platéia do outro boi fica e deve ficar em silêncio. Essa manifestação, ou melhor, não manifestação também ajuda na pontuação. Desde que o festival foi criado, o Garantido foi o grupo que mais vezes ganhou o festival, com 16 vitórias até 2007.