Que os adeptos do Caprichoso não chiem, mas foi o boi Garantido que surgiu primeiro. Foram só alguns meses antes do seu rival, ou “contrário” como falam em Parintins.

Parintins.com
As
origens do boi de Parintins estão na virada do século 19 para o 20,
a
partir da influência cultural dos migrantes nordestinos
Segundo os mais velhos, o menino Lindolfo Monteverde sonhou com um boi de pano que dançavam nas noites de São João usando as cores branca e vermelha, após ouvir as histórias de sua avó maranhense, estado onde já existia a tradicional festa. Em 13 de junho de 1913, o menino de 11 anos começou a brincadeira construindo o boi com curuatá, uma espécie de palmeira. No mesmo ano, os irmãos cearenses Raimundo, Pedro e Félix Cid cumpriram a promessa de repetir a tradição do boi-bumbá nordestino se conseguissem casa, comida e trabalho naquela pequena vila de Parintins, no interior da Amazônia, em plena época da exploração da borracha de seringueira. Promessa feita a São João Batista, promessa cumprida pela primeira vez em setembro de 1913. O boi dos irmãos Cid ganhou as cores azul e branca, graças a influência da marujada, outra tradicional representação folclórico do nordeste paraense e que acontece até hoje, com muitos menos pompa do que Parintins.
Foi também uma promessa que acabou perpetuando o boi Garantindo. Da simples brincadeira de criança, o boi virou coisa séria, quando aos 18 anos e viajando como recruta do exército Lindolfo adoeceu. Ele, então, prometeu também a São João, que se ficasse curado, iria manter a tradição até morrer.
O sentido religioso da festa foi mantido por vários anos com a ladainha antes da apresentação até se extinguir. A disputa entre os dois foi se acirrando e não era nada incomum violentas brigas durante a apresentação de um e do outro.

Em 1965, foi criado o festival. No primeiro ano, não houve disputa, apenas a apresentação de danças folclóricas. No ano seguinte, começou a contagem com a participação dos jurados. Caprichoso e Garantido se degladiaram na quadra junina. O tamanho do festival foi crescendo e em 1988 foi inaugurado o bumbódromo. A quadra, que tem o formato estilizado da cabeça de um boi, tem capacidade para 35 mil pessoas, com camarotes e uma divisão rigorosa de espaço para as duas torcidas. A partir de 2008, o espaço começou a ser reformado, o que deve durar cerca de três anos, com ampliação de camarotes e mais entradas para a platéia. Aliás, foi a criação do bumbódromo que ajudou a profissionalizar ainda mais a festa, que começou a receber influência clara dos carnavalescos cariocas na confecção da roupa, além de uma sistemática do festival. Essa política agressiva de divulgação fez com que os bois chegassem até a França. Em 1994, uma apresentação de bois encerrou o festival de Montreaux.