por
Kevin Bonsor - traduzido por HowStuffWorks Brasil
Elegendo o próximo papa
O Colégio de Cardeais elege um novo papa em um
conclave, que é o processo de isolar os membros do colégio na Cidade do Vaticano para que eles não tenham contato com o mundo exterior. A palavra "conclave" vem da frase em latim
cum clavis que significa "com chave". O termo é adequado, pois os cardeais são trancados na
Capela Sistina (site em inglês) no Palácio Apostólico durante o processo de votação.
| Onde fica?Clique aqui (site em inglês) para ver o mapa da Cidade do Vaticano |
Um conclave não pode começar antes de 15 dias depois da morte do papa nem 20 dias após. Os cardeais que participam do conclave ficam na Casa de Santa Marta, uma casa de hospedagem dentro do Vaticano. É importante assegurar que nenhum cardeal tenha contato com outras pessoas no trajeto entre a Casa de Santa Marta e a Capela Sistina.
Em 1996, o papa João Paulo II descreveu o procedimento complexo que seria usado para eleger o próximo sucessor de São Pedro em uma Constituição Apostólica chamada de Universi Dominici Gregis (UDG). É uma prática aceitável que os papas publiquem as normas que regulam a eleição dos seus sucessores e eles geralmente fazem pequenos ajustes nos procedimentos. De acordo com João Paulo II, estas mudanças são feitas "com intenção de responder as necessidades de um momento histórico específico".
O UDG determinou estas regras para a eleição de um novo papa:
- o número máximo de eleitores do Colégio de Cardeais é 120. O colégio é atualmente composto por 194 cardeais;
- qualquer cardeal que tiver 80 anos antes do dia que o papado estiver vago ou por morte ou resignação, não pode tomar parte na eleição. Atualmente, 135 cardeais são elegíveis para votar sob esta regra (15 dos 135 seriam desqualificados para votar porque o limite é de 120);
- uma maioria de dois terços mais um é necessária para eleger o novo papa;
- duas votações são feitas de manhã e de tarde, para um total de quatro em um dia;
- se um novo papa não for eleito entre 12 ou 13 dias, os cardeais podem escolher impor um voto majoritário, que permitiria a seleção de um novo papa por maioria simples.
Cada cédula retangular é inscrita no topo com as palavras Eligo in Summum Pontificem que significam: "Eu elejo como pontífice supremo". Abaixo destas palavras, cada cardeal anota o nome da pessoa que ele escolhe como papa. O voto é secreto com papel e caneta. O cardeal que votou dobra a cédula duas vezes, a levanta no ar e a carrega para o altar da capela. Ele então diz: "Eu chamo como minha testemunha Cristo, o Senhor, que será o meu juiz, que o meu voto é dado para aquele que perante Deus eu acho que deverá ser eleito". O cardeal coloca a cédula no prato que está no alto da urna e usa o prato para colocar a cédula dentro da urna. Depois de saudar o altar, ele retorna para o seu assento.
Três Inspetores que são selecionados por todos os cardeais são encarregados da contagem das cédulas. Logo que as cédulas são coletadas, os inspetores contam as cédulas para saber se todos votaram. Se o número de cédulas não for igual ao número de eleitores, as cédulas são imediatamente queimadas e outra votação acontece.
Aqui estão os passos para o procedimento da contagem de votos:
- o primeiro inspetor pega uma cédula, anota o nome escrito e passa para o próximo inspetor;
- o segundo inspetor anota o nome e passa para o terceiro inspetor;
- o terceiro inspetor lê em voz alta o nome na cédula, fura a cédula com uma agulha na palavra Eligo no topo da cédula e passa a cédula através de um fio;
- cada eleitor anota o nome lido;
- logo após todas as cédulas terem sido lidas, os inspetores anotam a contagem oficial em um pedaço de papel separado;
- o terceiro inspetor amarra a ponta do fio onde as cédulas estão colocadas para guardar os votos;
- as cédulas são colocadas em um recipiente.
Após cada votação, as cédulas e qualquer anotação relacionada são queimadas. A fumaça da queima dos votos aparece sobre o Vaticano. Se o papa não tiver sido escolhido, um químico é colocado nas cédulas para que se produza uma
fumaça preta quando as cédulas forem queimadas. Uma
fumaça branca é sinal de que o papa foi eleito.
O novo papa permanece como papa pelo resto da sua vida ou até ele se aposentar. O reinado do papa é chamado de pontificado. Na próxima seção, aprenderemos o que o papa faz durante o pontificado.
| Vida nova, nome novoQuando o novo papa aceita o seu novo papel, é tradição que ele escolha um novo nome. Esta tradição papal data do ano 533 e da eleição do Papa João II, cujo nome de nascimento era Mercurius, de acordo com a Enciclopédia Católica (site em inglês). Mercurius é uma palavra derivada de Mercúrio, um deus pagão romano. Acreditando que um sucessor de São Pedro não podia ter um nome pagão, Mercurius escolheu mudar o nome na eleição para homenagear um papa anterior. Enquanto alguns que seguiram João II escolheram não mudar o nome, esta prática logo se tornou comum para os novos papas. A mudança de nome também significava a nova vida que o novo papa estava começando como líder da Igreja Católica. Normalmente, o novo papa seleciona o nome do seu santo favorito ou o nome de um papa anterior que ele admira. João Paulo II escolheu o nome para homenagear o seu antecessor João Paulo I, que morreu apenas 33 dias depois de ter sido eleito papa. João Paulo I escolheu o nome para homenagear os antecessores Papa João XXIII e Papa Paulo VI. |