Como funcionam os palavrões e xingamentos

Autor: 
Tracy V. Wilson

Todos sabemos o que são "palavrões". Ao contrário das regras gramaticais, aprendemos palavrões e como usá-los sem precisar estudar e sem qualquer explicação. Mesmo crianças pequenas sabem que certas palavras são "feias", embora nem sempre saibam o significado delas.

Mas palavrões não são tão simples como parecem ser. São contraditórios: falar palavrões é um tabu em quase todas as culturas, mas em vez de evitá-los, como fazemos com outros tabus, nós os usamos freqüentemente. A maioria os associa à raiva ou frustração, mas eles são usados por vários motivos e em diversas situações. Xingar também satisfaz diversos objetivos em interações sociais. Além disso, seu cérebro lida com palavrões de forma diferente das outras palavras.

Neste artigo, vamos explorar o que faz certas palavras serem consideradas "palavrões", por que a maioria das pessoas os usa e como a sociedade responde a eles. Também daremos uma olhada em um dos aspectos mais fascinantes: a forma como isso afeta seu cérebro.

Uma observação geográfica

A maioria das pesquisas sobre palavrões impressas em inglês discute palavrões em inglês. Embora cada cultura tenha seus próprios palavrões, as estatísticas neste artigo vêm principalmente de pesquisas envolvendo pessoas que falam inglês nos Estados Unidos e Grã-Bretanha. No entanto, pesquisas relacionadas a xingamentos e ao cérebro referem-se a qualquer idioma.

Na prática, cada língua em cada cultura no mundo tem seus próprios e exclusivos palavrões. Até mesmo diferentes dialetos da mesma língua podem ter palavrões distintos. Provavelmente já existiam palavrões nas primeiras língua, uma vez que a escrita se desenvolveu depois da fala, não há registros de quem falou o primeiro palavrão ou de que palavra foi. Por causa dos tabus envolvidos, histórias a respeito da linguagem escrita também possuem poucos registros das origens dos palavrões. Mesmo hoje em dia, alguns dicionários não possuem palavrões e relativamente poucos estudos se dedicam ao assunto.

De acordo com o "Hitchhiker´s Guide to the Galaxy" (O Guia do Mochileiro das Galáxias), a palavra mais ofensiva do universo é "Bélgica". Por outro lado, The "Firefly" Universe (O Universo dos Vagalumes) inventa palavrões e maldições chinesas.

A maioria dos pesquisadores concorda que palavrões vêm de formas antigas de palavras usadas em magia. Algumas culturas, principalmente as que não desenvolveram linguagem escrita, acreditam que as palavras faladas podem amaldiçoar ou abençoar as pessoas ou afetar o mundo. Isso nos leva a pensar que algumas palavras são muito boas ou muito ruins.

No segundo livro da série, o mundo de Harry Potter já tinha sua própria difamação racial - "mudblood" (a tradução literal seria "sangue de lama"; no Brasil, foi usado o termo "trouxa") - uma palavra repugnante para bruxos que não são descendentes de outros bruxos

Palavrões de idiomas diferentes não soam da mesma forma e geralmente se dividem em duas categorias. Na maioria das vezes, são deísticos (relacionados com religião) ou viscerais (relacionados com o corpo humano e suas funções). Alguns também são relacionados com a linhagem ou família da pessoa. Alguns lingüistas classificam calúnias e apelidos maldosos como palavrões, ao passo que outros os colocam em uma categoria à parte. As palavras são as mesmas, mas pessoas de diferentes culturas as usam em contextos e situações distintos.

No Ocidente, em locais onde se fala inglês, pessoas de todas as raças, classes sociais e níveis de educação falam palavrões. Nos Estados Unidos, 72% dos homens e 58% das mulheres falam palavrões em público. O mesmo ocorre com 74% das pessoas entre 18 e 34 anos e 48% das pessoas acima de 55 anos. Muitas pesquisas a esse respeito mostram que os homens xingam mais que as mulheres, mas estudos focando o uso da língua pelas mulheres mostram que elas xingam em contextos mais específicos.

Mas por que tantas pessoas falam palavrões? A seguir, vamos ver como essas palavras agem nos relacionamentos e interações sociais.

 

 

Palavrões em outras línguas

Pessoas que estudam outras línguas normalmente aprendem primeiro os palavrões ou aprendem e usam palavrões de vários idiomas. Qualquer pessoa que tenha aprendido um idioma por imersão em vez de em sala de aula tende a falar mais palavrões e gírias. As que falam mais de uma língua normalmente usam palavrões de línguas diferentes, mas sentem que as palavras em seu idioma nativo causam muito mais impacto emocional. Por esse motivo, alguns poliglotas começam a falar em um idioma secundário para se expressar a respeito de assuntos que são um tabu para eles.

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