Em agosto de 1980, a família Chamberlain estava acampando perto de uma formação rochosa chamada Ayers Rock, na área central da Austrália. Lindy Chamberlain colocou os seus dois filhos, Reagan de quatro anos e Azaria de dois meses para dormir na barraca. Quando voltou, gritou "O dingo pegou o meu bebê!"
![]() ©iStockphoto.com/Ray Hems Será que um dingo pegou o bebê? Talvez nunca saibamos. |
De acordo com Lindy, quando chegou à barraca viu um dingo arrastando algo de dentro dela. A mãe não estava perto o suficiente para ver o que era, mas quando foi verificar como as crianças estavam notou que Azaria tinha desaparecido. Ela e o marido Michael, junto com outros campistas, começaram então a procurar por Azaria. Uma campista vizinha, Sally Lowe, foi até a barraca para ver como Reagan, que dormia, estava. Encontrou uma pequena poça de sangue no chão e deduziu que Azaria provavelmente já estaria morta.
Assim que o guarda florestal chegou, Lindy lhe mostrou um cobertor ensagüentado e rasgado, além de objetos (que estavam dentro da barraca) com sangue. Porém, oficiais da polícia levaram apenas o cobertor. Já as roupas dos Chamberlains, que também continham manchas de sangue, só foram coletadas mais tarde.
Quando um turista encontrou o macacão do bebê perto da toca de um dingo, ele estava apenas um pouco rasgado e ensanguentado, mas a maioria dos botões ainda estava fechada. Ele estava arrumado como se tivesse sido puxado. O bebê estaria usando outras roupas que não foram encontradas. Um policial chegou ao local e, para o espanto de um turista, pegou o macacão e o dobrou. Além disso, uma equipe de TV (em inglês) declarou que a vestimenta havia sido encontrada daquela maneira.
Isso continuou a criar mais suspeitas sobre o envolvimento dos Chamberlains na morte da criança. A polícia afirmou ter encontrado marcas de sangue com o mesmo grupo sangüíneo de Lindy Chamberlain na caverna perto de Ayers Rock. No início, a pequena quantidade encontrada na barraca também era suspeita. No entanto, testes futuros no colchão do berço mostraram que ele havia absorvido uma quantidade suficiente de sangue que poderia resultar na morte de um bebê. Uma análise do macacão com lâmpada fluorescente mostrou a presença de uma mancha de sangue que poderia indicar que a garganta do bebê havia sido cortada.
Durante o caso, a polícia local lidou de maneira inadequada com as evidências. Eles não fotografaram ou tentaram preservar os materiais encontrados, o que basicamente invalidou muitas das conclusões. No entanto, o depoimento de um especialista provou ser o suficiente para condenar Lindy Chamberlain pelo assassinato e condenar seu marido como cúmplice. Três anos mais tarde, depois que mais uma peça de roupa de Azaria foi encontrada, Lindy foi libertada. Oficialmente, o caso permanece aberto.
Esse caso mostra o que pode acontecer quando a polícia não está treinada para realizar a análise de manchas de sangue. Quando o local é modificado e as roupas são lavadas, não há como recuperar as evidências. Se os oficiais tivessem realizado a investigação de maneira adequada, os Chamberlains poderiam estar presos ou, talvez, pudessem provar definitivamente que um dingo realmente comeu o bebê.
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