A técnica de colocar fios sobre cada respingo é apenas uma maneira de determinar a área de convergência ou a fonte de sangue. A maioria dos programas de TV, como "Dexter," mantém o foco apenas sobre o analista observando os fios e relatando o crime, mas não mostra o processo envolvido. Nesse método, que é usado por vários analistas, o especialista documenta a localização de cada respingo usando o sistema de coordenadas. A seguir, ele estabelece uma base para demonstrar para onde o pingo está voltado em relação ao chão e ao teto.
Usando fios elásticos, o profissional coloca linhas a partir de cada respingo até a base. Depois, usa um transferidor na base da área onde os fios convergem para determinar o ângulo de lançamento de cada gota. Se estiverem principalmente na parede, é possível medir a distância entre a área de convergência e o objeto para descobrir onde a vítima estava.
Alguns analistas usam cálculos trigonométricos para descobrir a área de convergência. As medidas da mancha de sangue se tornam os lados de um triângulo retângulo: seu comprimento é a hipotenusa e a largura fica do lado oposto ao ângulo que o analista está tentando descobrir.
Primeiro é necessário localizar cada mancha e medir o comprimento e a largura delas usando uma régua ou compasso de calibre. Em seguida, calcular o ângulo usando essa fórmula:
ângulo de impacto = arco seno (lado oposto/hipotenusa)
Veja o que um analista precisa fazer para que a fórmula funcione:
Uma gota de sangue que cai perfeitamente na vertical ou formando um ângulo de 90° será redonda. À medida que o ângulo de impacto aumenta, o pingo fica cada vez mais longo e desenvolve uma "ponta" que indica a direção percorrida. Porém, seu comprimento não faz parte das medidas.
Quanto maior a diferença entre a largura e o comprimento, mais agudo será o ângulo de impacto. Por exemplo, imagine uma mancha de sangue com 2 mm de largura e 4 mm de comprimento. A largura dividida pelo comprimento seria igual a 0,5. O arco seno de 0,5 é 30, então o sangue caiu na superfície formando um ângulo de 30°. Em uma mancha com a largura de 1 mm e comprimento de 4 mm, o coeficiente seria de 0,25. Nesse caso, o sangue caiu na superfície formando um ângulo com cerca de 14°.
Um terceiro método envolve medir o comprimento e a largura de cada marca, realizar outras medições da área e passar esses dados para um programa de computador, como o No More Strings. Esses programas criam modelos tridimensionais e animações da cena do crime, além de indicar a área de convergência. Quando usados para apresentar alguma evidência podem ser mais convincentes do que declarações de especialistas cheias de jargões ou fotografias bidimensionais.
Até agora, vimos como a análise de manchas de sangue pode funcionar quando utilizada de maneira correta por oficiais da polícia bem treinados. A seguir, vamos conhecer a história da análise de manchas de sangue e ler sobre um caso que apresenta análises de sangue malfeitas.