Em janeiro de 2007, o prisoneiro Roy Brown, condenado por assassinato em Nova York em 1992, foi solto. Brown foi um dos muitos prisoneiros liberados após análises de DNA os inocentarem de seus crimes, já que não eram disponíveis ou amplamente usadas durante julgamentos. No caso de Brown, a análise de marcas de mordida colaborou para sua condenação, mas o DNA da saliva deixada na marca indicou um suspeito diferente. Então, o que deu errado?
A marca de mordida no caso Brown mostrou seis impressões dos dentes frontais da mandíbula superior, embora ele não tivesse dois dentes na época. O perito testemunhou afirmando que Brown poderia ter mexido a pele da vítima enquanto mordia para fazer parecer que ele não tinha nenhum dente faltando. Apesar de seu testemunho não ter sido a única prova usada na acusação, ela contribuiu para que os jurados o considerassem culpado.
Apenas cinco anos antes, um homem do Arizona chamado Ray Krone foi solto após 10 anos cumprindo pena por assassinato. A testemunha de acusação afirmou que seus dentes e a marca de mordida achada na vítima se igualavam. A testemunha afirmou que eram "100 por cento iguais" [fonte: New Scientist]. Krone foi inocentado após o DNA de outro suspeito ter sido achado nas roupas da vítima.
![]() ©iStockphoto.com/Hans Laubel Marcas de mordida não são como impressões digitais e DNA - elas não revelam com toda certeza quem fez a mordida |
Casos como esses levaram os críticos a especular sobre a natureza das análises de marcas de mordida. Ao invés de fazer deduções a mais com base na marca da mordida, os dentistas forenses geralmente recebem várias informações sobre o suspeito antes de realizar suas análises. Isso pode fazer com que procurem provas inexistentes, apenas para preencher suas necessidades. Além do mais, os dentistas forenses podem dar aos jurados a impressão de que as marcas de mordidas são tão únicas quanto impressões digitais ou DNA, e não são. Apesar da afirmação da testemunha do caso Krone, não há provas para se responsabilizar um indivíduo por uma mordida com total certeza.
Hoje, alguns críticos acham que as análises de mordidas devem ser usadas apenas para eliminar, e não identificar suspeitos. Outros dizem que é aceitável afirmar a probabilidade de um suspeito ter criado a marca, mas é importante esclarecer que as marcas de mordida não podem ser a única coisa a ligar os suspeitos ao crime. O treinamento de dentistas forenses, assim como informar apropriadamente os jurados, também são fatores para não culpar um suspeito com apenas essa prova.
Após a exoneração de Brown, o chefe de odontologia forense, Richard Souviron, do Escritório de Exames Médicos de Miami-Dade, disse ao New York Times que "se você diz que uma marca só pode pertencer a uma pessoa no mundo inteiro e a ninguém mais, e você usa essa marca como a única prova para ligar um criminoso à sua vítima, então isso não é ciência, isso é lixo". [fonte: New York Times]. Anthony Cardoza, co-autor de uma pesquisa de 1999 que mostra a confiabilidade das análises de marcas de mordida em condições específicas, admitiu: "a melhor marca de mordida é aquela que pode ser esfregada com um cotonete para procurar DNA". [fonte: New Scientist].
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