Análise de mordidas

Apesar de o julgamento dos assassinatos Chi Omega ter tido a marca de mordida como peça central, geralmente esse tipo de prova é usada em conjunto com outras provas físicas. A análise de marcas de mordida é algo extremamente complexo, com muitos fatores envolvidos na habilidade do dentista forense de determinar a identidade do autor da mordida.

Marcas de mordida são traiçoeiras porque envolvem mais do que os dentes. O tempo pode afetar as marcas, assim como o movimento e a pressão.
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Marcas de mordida são traiçoeiras porque envolvem mais do que os dentes. O tempo pode afetar as marcas, assim como o movimento e a pressão.

O movimento da mandíbula e da língua no ato da mordida contribui para o tipo de marca deixada. Dependendo do local, não é comum achar marcas onde os dentes superiores e inferiores deixaram impressões evidentes - geralmente um é mais visível que o outro. Se a vítima estiver se movendo, a marca deixada é diferente daquela sofrida por uma vítima parada.

Se o investigador vê algo semelhante a uma mordida na vítima, o dentista forense deve ser chamado imediatamente, porque essas marcas mudam significativamente durante o tempo. Por exemplo, se a vítima está morta, a pele pode se mover com a decomposição do corpo, fazendo com que a marca se desloque.

O primeiro passo na análise da mordida é identificá-la como humana. Dentes de animais são muito diferentes dos dentes dos humanos, então os padrões das marcas são distintos. Depois, a marca é esfregada com um cotonete para coletar DNA, que pode ter sido deixado na saliva do agressor. É preciso também determinar se a mordida foi auto-infligida.

Então, os dentistas forenses medem cada marca e fazem registros. Eles também solicitam muitas fotografias por causa da mudança natural das marcas. Hematomas podem aparecer quatro horas após a mordida e desaparecem após 36 horas. Se a vítima estiver morta, o dentista talvez tenha de esperar até que o estágio de lividez, ou parada do sangue, clareie e torne os detalhes visíveis. As fotos das mordidas devem ser tiradas com precisão, usando réguas e outras escalas para descrever a orientação, profundidade e tamanho da mordida. As fotos são, então, ampliadas, realçadas e as distorções corrigidas.

Finalmente, as marcas nas vítimas mortas são cortadas e retiradas da pele no necrotério e preservadas em um composto chamado formalina, que contém formaldeído. Só então os dentistas forenses podem fazer um molde de silicone da mordida.

São usados vários termos diferentes para descrever o tipo de marca:

  • Abrasão - um arranhão na pele
  • Artefato - quando uma parte do corpo, como o lobo da orelha, é removido com a mordida
  • Avulsão - mordida resultando na remoção da pele
  • Contusão - um hematoma
  • Hemorragia - uma mordida com sangramento profuso
  • Incisão - um ferimento limpo, nítido
  • Laceração - um ferimento perfurante

Além do mais, há vários tipos de impressões que podem ser deixados pelos dentes, dependendo da pressão aplicada por quem morde. Uma impressão evidente significa que houve certa pressão, uma mordida óbvia significa pressão média; e uma impressão notável significa que a mordida foi feita com pressão violenta.

Um dentista forense pode descobrir muitas coisas sobre os dentes do mordedor baseando-se na marca deixada. Se houver um espaço vazio, a pessoa provavelmente não tem um dente. Dentes tortos deixam impressões tortas e dentes lascados deixam impressões irregulares e de profundidades variadas. Aparelhos e próteses também deixam impressões distintas.

Quando os investigadores identificam um suspeito, eles obtêm um mandado para fazer um molde dos dentes assim como fotos da boca em vários estágios de abertura e mordidas. Eles comparam as transparências do molde com o molde de gesso da mordida, e as fotos das marcas e os dentes do suspeito são comparados à procura de similaridades.

As análises de marcas de mordidas apareceram em noticiários recentes por sua natureza controversa. Veremos alguns desses casos em seguida.