Não existem bancos de dados de dentes como os bancos de dados de impressões digitais ou DNA, então, os registros dentários são o modo como os dentistas forenses identificam os mortos. O esmalte do dente (a camada exterior) é mais dura do que qualquer outra substância do corpo humano, por isso os dentes permanecem mesmo depois de todas as outras partes se decomporem. As vítimas de incêndios são freqüentemente identificadas pela arcada dentária, que pode resistir a temperaturas acima de 1.093°C. Dentes expostos a calor muito intenso tornam-se frágeis e podem encolher, mas eles podem ser preservados com verniz e usados para identificação, desde que manuseados cuidadosamente. Intervenções como próteses parciais ou coroas de ouro deformam com o fogo, mas ainda podem ajudar na identificação.
![]() ©iStockphoto.com/Valentin Casarsa A identificação pela arcada dentária depende do registro do dentista da pessoa morta |
![]() ©iStockphoto.com/Günay Mutlu Os raios-X são o melhor modo de fazer combinações na odontologia forense |
A identificação de indivíduos sem registros dentários é muito mais difícil. No entanto, dentes quebrados ou faltando e coroas de ouro podem ser reconhecidas por amigos e membros da família do falecido. Pode-se determinar coisas sobre o estilo de vida da pessoa através de seus dentes: um fumante assíduo de cachimbo ou um tocador de gaita de foles possuem padrões distintos na disposição dos dentes. Costureiras e alfaiates, que geralmente colocam pinos e agulhas na boca, podem ter dentes lascados.
Além dos registros dentários, os investigadores forenses podem reaver amostras de DNA extraindo a polpa do centro dos dentes. Diferente do esmalte, a polpa pode ser danificada pelo fogo e outras condições, mas também pode durar por centenas de anos. A identificação por dentes é geralmente um último recurso e nem sempre é possível - algumas pessoas simplesmente não podem ser identificadas.
Veremos em seguida um outro aspecto da odontologia forense: a análise de marcas de mordidas.