Você deve se perguntar o que William diria sobre o uso de seu princípio para invalidar a existência de Deus, já que ele era um monge (em inglês) franciscano (em inglês) devoto. Ele provavelmente ressaltaria que a navalha não é uma ferramenta que estabelece provas. Por essa razão, alguns grupos dizem que ela não é muito útil. Outros não têm nenhum problema com a navalha de Occam: eles simplesmente não gostam da maneira como os outros grupos a usam para eliminar teorias.
![]() Terry Ashe/Time Life Pictures/Getty Images Evidências que condenaram Lee Harvey Oswald. Qual é a teoria mais simples? O presidente John F. Kennedy foi assassinado por um único atirador ou sua morte foi o resultado de uma conspiração da CIA? |
A navalha de Occam às vezes é usada contra os teóricos da conspiração. Geralmente, são os céticos que medem as forças com os adpetos da teoria da conspiração, usando a navalha como prova de que os conspiradores vão muito longe em suas explicações. Pegue, por exemplo, o assassinato do presidente John F. Kennedy (em inglês). A idéia de que ele foi morto por um único atirador comunista (em inglês) que estava exaltado demais é uma explicação muito mais simples do que a idéia de que ele tenha sido morto por uma conspiração da CIA, o que envolveria uma traição em níveis ainda nunca vistos na história dos EUA (em inglês) até aquele momento.
O fato de uma explicação ser mais simples significa, porém, que ela é correta? Os teoristas conspiratórios podem produzir todo o tipo de evidências circunstanciais que indiquem várias conspirações diferentes. De acordo com a navalha de Occam, porém, essas evidências extras seriam consideradas irrelevantes depois da explicação do único atirador. Nesse caso, a navalha de Occam serve apenas para incentivar a discussão quando é usada para eliminar teorias conspiratórias.
As limitações impostas pela navalha de Occam e seu uso com o método científico fez um homem perder a cabeça. Charles Fort foi um escritor que viveu no fim do século XIX e início do XX em Nova York (em inglês) e em Londres (em inglês). Ele vivia a mesma vida de pobreza de William de Occam, mas por razões diferentes. William fez um voto de pobreza por razões religiosas, ao passo que a pobreza de Fort era um subproduto de seu comprometimento em revelar verdades universais.
Charles Fort passava seus dias fazendo pesquisas nas grandes bibliotecas de Nova York e Londres. Nelas ele investigava todo tipo de fenômenos, provados cientificamente ou não. Embora admirasse e aceitasse o potencial do campo científico para explicar o universo, ele desenvolveu um desprezo pela comunidade científica e por sua recusa inflexível em aceitar a existência de qualquer coisa que não possa ser explicada pelo método científico [fonte: Charles Fort Institute].
Por isso, Fort estava determinado a usar a ciência para investigar o paranormal, aquilo que existe fora da ciência, como os fantasmas. Seu trabalho é conduzido hoje em dia por investigadores paranormais em instituições respeitadas ao redor do mundo, como na Universidade de Edinburgo (em inglês). Nesse sentido, é fácil traçar um paralelo entre a investigação de Fort para usar um pensamento racional na explicação do que não pode ser visto e as pesquisas de Occam sobre a natureza de Deus.
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