Oposição à navalha de Occam

Você deve se perguntar o que William diria sobre o uso de seu princípio para invalidar a existência de Deus, já que ele era um monge (em inglês) franciscano (em inglês) devoto. Ele provavelmente ressaltaria que a navalha não é uma ferramenta que estabelece provas. Por essa razão, alguns grupos dizem que ela não é muito útil. Outros não têm nenhum problema com a navalha de Occam: eles simplesmente não gostam da maneira como os outros grupos a usam para eliminar teorias.

Qual é a explicação mais simples? O presidente Kennedy foi assassinado por um único atirador ou pela CIA?
Terry Ashe/Time Life Pictures/Getty Images
Evidências que condenaram Lee Harvey Oswald. Qual é a teoria mais
simples? O presidente John F. Kennedy foi assassinado por um único
atirador ou sua morte foi o resultado de uma conspiração da CIA?

Alguns pensadores religiosos (em inglês) não acreditam que a navalha tenha uma finalidade. A religião é baseada na fé e não em evidências. As complexidades de um mundo baseado em um Deus criador desafiam a navalha de Occam. Afinal, a idéia é basicamente irracional. Além do mais, não temos evidências empíricas da existência de Deus. Os pensadores religiosos, contudo, ressaltam que as evidências da existência de Deus estão ao nosso redor, na forma de árvores, da atmosfera (em inglês) e de seres humanos.

A navalha de Occam às vezes é usada contra os teóricos da conspiração. Geralmente, são os céticos que medem as forças com os adpetos da teoria da conspiração, usando a navalha como prova de que os conspiradores vão muito longe em suas explicações. Pegue, por exemplo, o assassinato do presidente John F. Kennedy (em inglês). A idéia de que ele foi morto por um único atirador comunista (em inglês) que estava exaltado demais é uma explicação muito mais simples do que a idéia de que ele tenha sido morto por uma conspiração da CIA, o que envolveria uma traição em níveis ainda nunca vistos na história dos EUA (em inglês) até aquele momento.

O fato de uma explicação ser mais simples significa, porém, que ela é correta? Os teoristas conspiratórios podem produzir todo o tipo de evidências circunstanciais que indiquem várias conspirações diferentes. De acordo com a navalha de Occam, porém, essas evidências extras seriam consideradas irrelevantes depois da explicação do único atirador. Nesse caso, a navalha de Occam serve apenas para incentivar a discussão quando é usada para eliminar teorias conspiratórias.

As limitações impostas pela navalha de Occam e seu uso com o método científico fez um homem perder a cabeça. Charles Fort foi um escritor que viveu no fim do século XIX e início do XX em Nova York (em inglês) e em Londres (em inglês). Ele vivia a mesma vida de pobreza de William de Occam, mas por razões diferentes. William fez um voto de pobreza por razões religiosas, ao passo que a pobreza de Fort era um subproduto de seu comprometimento em revelar verdades universais.

Charles Fort passava seus dias fazendo pesquisas nas grandes bibliotecas de Nova York e Londres. Nelas ele investigava todo tipo de fenômenos, provados cientificamente ou não. Embora admirasse e aceitasse o potencial do campo científico para explicar o universo, ele desenvolveu um desprezo pela comunidade científica e por sua recusa inflexível em aceitar a existência de qualquer coisa que não possa ser explicada pelo método científico [fonte: Charles Fort Institute].

Por isso, Fort estava determinado a usar a ciência para investigar o paranormal, aquilo que existe fora da ciência, como os fantasmas. Seu trabalho é conduzido hoje em dia por investigadores paranormais em instituições respeitadas ao redor do mundo, como na Universidade de Edinburgo (em inglês). Nesse sentido, é fácil traçar um paralelo entre a investigação de Fort para usar um pensamento racional na explicação do que não pode ser visto e as pesquisas de Occam sobre a natureza de Deus.

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