O exemplo de Einstein versus Lorentz ilustra bem quem usa mais a navalha de Occam: os cientistas. Para progredir em suas equações gigantescas, os cientistas costumam usar a navalha para chegar com facilidade do ponto A ao B em um conjunto de dados. Afinal, o caminho mais fácil, e muitas vezes o melhor, entre dois pontos é a linha reta, certo?
![]() Imagno/Getty Images Os céticos usam a navalha de Occam para avaliar tudo, desde OVNIs até religião |
Um verdadeiro cético, porém, irá dizer que só usa a navalha de Occam como uma ferramenta para avaliar explicações diferentes. Os céticos que realmente compreendem a investigação saudável do universo usam a navalha de Occam para escolher a explicação mais simples (e de acordo com sua crença, a mais lógica), mas param de usá-la na hora de eliminar outras explicações mais complexas. Afinal, evidências poderiam aparecer mais tarde e indicar que a coisa mais fantástica é verdadeira, e o objetivo de um verdadeiro cético é manter a mente aberta.
Existem, no entanto, algumas pessoas que, como os cientistas e os céticos, usam a navalha como se ela fosse uma grande espada. Para essas pessoas, ela prova uma teoria e invalida a outra. Existem dois problemas em usar a navalha de Occam como uma ferramenta para provar ou invalidar uma explicação. O primeiro é que determinar se uma coisa é simples ou não (digamos, evidência empírica) é subjetivo, ou seja, o indivíduo tem de interpretar sua simplicidade. O segundo é que não há evidência que confirme a idéia de que simplicidade é igual à verdade.
É importante lembrar que a idéia atribuída a Aristóteles (em inglês), que diz que a perfeição é encontrada na simplicidade, foi criada pelo ser humano. Ela não é confirmada pela matemática, física ou química. E, ainda assim, alguns a consideram comprovada.
Veja este exemplo. Existem alguns criacionistas que dizem que a navalha de Occam prova que a ideologia deles é correta. Afinal, não é uma explicação mais simples dizer que Deus criou a vida, o universo e todas as coisas do que dizer que foram criados pelo Big Bang, seguido por uma série incrível de coincidências inter-relacionadas?
Boa tentativa, dizem os evolucionistas. Essa explicação supõe que Deus exista e nós não temos evidências empíricas de que isso seja verdade. Esse também é o caso dos ateus (em inglês), aqueles que não acreditam em Deus. Os ateus usam a navalha de Occam junto com a idéia de Aristóteles de que simplicidade é igual à perfeição para provar que Deus não existe. Se Deus existisse, dizem os ateus, o universo seria bem mais simples, certo?
O problema de todos esses argumentos é que o que constitui a simplicidade é subjetivo. Além disso, não conseguimos mostrar de maneira racional que o universo poderia ser mais simples. Embora possamos apontar excessos em níveis que conseguimos observar, não podemos identificar com certeza se eles não são necessários de modo geral. A fotossíntese, por exemplo, é um mecanismo bastante complexo. Isso não quer dizer, no entanto, que ela não seja o meio mais simples possível de obter a produção de alimento em uma planta. Ainda temos de criar um processo mais simples, que irá obter um resultado igual no mesmo sistema.
Agora você já deve ter uma boa noção das maneiras como a navalha de Occam é usada para fazer uma idéia sobressair sobre outra. Na próxima seção, vamos dar uma olhada nas pessoas que dizem que a navalha de Occam não é necessariamente uma boa idéia e descobrir o motivo dessa oposição.