A navalha de Occam e o método científico

Physicists chose Albert Einstein’s theory on the time-space continuum was chosen based on its plausability.
Toru Yamanaka /AFP/Getty Images

A explicação de Albert Einstein para as
flutuações no contínuo espaço-tempo
foi escolhida com base
nas doutrinas da navalha de Occam

A navalha de Occam é baseada na idéia de que a simplicidade é igual à perfeição. Isso se encaixa perfeitamente no método científico, a série de passos que os cientistas seguem para provar ou reprovar alguma coisa. Na verdade, você poderia argumentar que o método científico foi criado com base na navalha de Occam.

Tenha cuidado, porém, quando estiver se aproximando da navalha, porque, para uma frase tão breve, ela tem uma estranha habilidade de ser ampliada ou adaptada para se ajustar a todos os tipos de idéia. É importante lembrar que a navalha de Occam não prova nada. Em vez disso, ela serve como um conselho heurístico, um guia ou uma sugestão, que declara que, quando há duas explicações para a mesma coisa, geralmente a mais simples é a correta.

O que está implícito nesse princípio é que as explicações simples vêm de evidências que já sabemos que são verdadeiras, como as evidências empíricas, as informações reunidas por meio dos cinco sentidos (em inglês). Sabemos que os grilos produzem sons porque podemos escutá-los. Sabemos que os picles são amargos porque podemos prová-los. Dessa forma, as coisas que podem ser facilmente explicadas usando as evidências empíricas tendem a ser melhores do que as explicações baseadas em evidências que não podemos sentir.

Aqui está um exemplo clássico do uso da navalha de Occam. Uma dupla de físicos, Lorentz (em inglês) e Einstein, concluíram matematicamente que as coisas tendem a ficar um pouco instáveis dentro do contínuo espaço-tempo. Por exemplo, quanto mais perto estivermos de atingir a velocidade da luz, mais devagar nos moveremos.

Embora os dois tenham chegado aos mesmos resultados com suas equações, Einstein e Lorentz tinham explicações diferentes para eles. Lorentz disse que isso se devia às mudanças que aconteciam no "éter". O problema é que a ciência não acredita que o "éter" exista - então, isso apresenta um elemento problemático da equação. A explicação de Einstein não fez nenhuma referência ao éter e, por fim, acabou triunfando sobre a de Lorentz.

A navalha de Occam ganhou ampla aceitação e como resultado, o princípio vem sendo ampliado (ou distorcido, dependendo de sua opinião) ao longo do tempo. O físico Ernst Mach (em inglês), por exemplo, fez que a navalha se tornasse parte essencial da evidência empírica quando disse que a pesquisa científica deveria usar os métodos mais simples para chegar às conclusões e, além disso, que devia excluir desse processo qualquer evidência que não fosse empírica. Isso está baseado no positivismo (em inglês), a idéia de que, se uma coisa não pode ser provada empiricamente, ela não existe.

Esse tipo de pensamento é considerado uma lógica tola por alguns, o que pode resultar em uma fronteira entre as ideologias divergentes. Algumas vezes, até mesmo os dois lados em oposição usam a navalha de Occam para invalidar as idéias um do outro. Na próxima seção, vamos ver cada um desses lados. Primeiro, vamos ver as pessoas que usam a navalha de Occam para explicar suas crenças.

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