O novo mapa político do Brasil

Terminada a contagem dos votos, mais que um país dividido, as eleições para presidência, governos estaduais, vagas no senado, câmara federal e assembleias legislativas mostraram o amadurecimento da democracia do país. O pleito que estabeleceu o novo mapa político do Brasil transcorreu sem qualquer problema grave e garantiu a sequência do processo democrático que teve como marco as eleições de 1989, as primeiras livres depois de décadas de governos ditatoriais.


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Na eleição principal, país tem primeira presidente reeleita

No principal cargo em disputa, o de presidente da república, Dilma Rousseff, do PT (Partido dos Trabalhadores), que havia sido a primeira mulher a ocupar o cargo, agora é a primeira a ser reeleita para o posto. Ela derrotou o oposicionista Aécio Neves ao receber 54.501.118 votos, 51,64% dos válidos. A eleição precisou de dois turnos para ser decidida e, desde a redemocratização, foi a menor diferença entre os candidatos finalistas. O candidato do PSDB recebeu 51.041.155 votos (48,36% dos válidos).

Isso significa que o Partido dos Trabalhadores irá estender sua permanência no poder por quatro mandatos uma vez que Dilma Rousseff havia sucedido Luis Inácio Lula da Silva, o primeiro presidente eleito pela agremiação, que também governou por dois períodos de quatro anos.

Governo tem ampla maioria no Senado

O Senado teve eleição para 27 membros, o que significa um terço da bancada. A casa possui três representantes por estado para mandatos de oito anos. Na próxima votação, serão colocados em jogo o cargo dos dois terços restantes.

O PMDB foi o partido que mais elegeu representantes para a próxima legislatura. Terá cinco representantes, seguido por PDT e PSDB (quatro cada), PSB e DEM (três), PT, PSD e PTB (dois) e PP e PR (cada um elegeu um representante).

Os três principais partidos saíram perdendo numericamente. O PMDB caiu de 19 para 18 representantes. O PT de 13 para 12 e o PSDB de 12 para 10. Em termos proporcionais, o maior crescimento foi do PSB, que dobrou sua bancada. De três representantes passará a ter seis.

No balanço geral, o governo continuará a ter maioria significativa. Das 81 cadeiras do Senado, 65% pertencem a partidos que fazem parte da coligação que ajudou a reeleger Dilma Roussef

Câmara tem PT como maior partido

A Câmara dos Deputados tem mandatos de quatro anos, o que significa a possibilidade de renovação total a cada eleição. Apesar de as pesquisas mostrarem uma alta rejeição da população em relação aos parlamentares, 270 deles conseguiram ser reeleitos.

O PT elegeu a maior bancada, com 70 integrantes, seguido pelo PMDB (66), PSDB (54), PSD (37), PP (36), PSB (34), PR (34), PTB (25), DEM (22), PRB (21), PDT (19), SD (15), PSC (12), PROS (11), PPS (10) e PCdoB (10). Partidos menores conseguiram eleger 37 deputados. Os nove partidos que compõe a coligação governista possuem 59% dos deputados da casa.

PMDB ganha maior número de governos estaduais

Em termos numéricos, o PMDB foi o grande vencedor das eleições para os governos estaduais. O partido saiu das urnas com o comando de sete estados: Alagoas (Renan Filho), Espírito Santo (Paulo Hartung), Rio de Janeiro (Luiz Fernando Pezão), Rio Grande do Sul (José Ivo Sartori), Roraima (Confúcio Moura), Sergipe (Jackson Barreto) e Tocantins (Marcelo Miranda).

Porém, PT e PSDB também podem proclamar sua cota de vitórias. Cada um venceu em cinco estados. Os tucanos conseguiram manter sua hegemonia em São Paulo (Geraldo Alckmin) e ainda ganharam Goiás (Marconi Perillo), Mato Grosso do Sul (Reinaldo Azambuja), Pará (Simão Janete) e Paraná (Beto Richa). Já os petistas conseguiram tirar o PSDB do poder em Minas Gerais (Fernando Pimentel) e venceram no Acre (Tião Viana), Bahia (Rui Costa), Ceará (Camilo Santana) e Piauí (Wellington Dias).

Entre os partidos menores, o maior vitorioso foi o PSB, que conquistou os governos do Distrito Federal (Rodrigo Rollemberg), Paraíba (Ricardo Coutinho) e Pernambuco (Paulo Câmara). O PSD venceu no Rio Grande do Norte (Robinson Faria) e Santa Catarina (Raimundo Colombo). O PDT ganhou no Amapá (Waldez Góes) e Mato Grosso (Pedro Taques). O PROS levou no Amazonas (José Melos), o PCdoB no Maranhão (Flávio Dino) e o PP em Roraima (Suely Campos).

Grandes partidos dominam assembleias legislativas

A força da estrutura partidária mostrou a razão de ser nas eleições estaduais. As três maiores agremiações do país, PMDB, PT e PSDB, saíram majoritárias nas assembleias legislativas.

O PMDB elegeu o maior número de deputados estaduais em Alagoas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins. O PT tem maioria no Acre, Bahia, Ceará, Minas Gerais e Piauí. Já o PSDB é mais forte em Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.