Chamas brilhantes

Quase todas as testemunhas falaram de um incêndio de chamas muito brilhantes; muitos as compararam a fogos de artifício. Mas as chamas de um incêndio por hidrogênio seriam praticamente invisíveis à luz do dia. Bain já vira lançamentos de foguetes em Cabo Kennedy, e sabia que as chamas só aparecem quando o combustível é sólido. Quando o hidrogênio é queimado, não há nada para ser visto, a não ser um tremeluzir no ar.

Custo da viagem

O Hindenburg levava dois dias para realizar a travessia do Atlântico. O custo da viagem era de 400 dólares – somente o trajeto de ida.

A parte final do quebra-cabeças era, para Bain, a mais intrigante. Como é 14 vezes menos denso que o ar, ao queimar o hidrogênio tenderia a subir. Ficou claro que desde o início o fogo se dirigiu para baixo; as chamas lamberam os flancos esgarçados do Hindenburg como cerveja entornando de um barril.

Bain iniciou seus testes. Ele adquiriu destroços da nave, incluindo retalhos da cobertura externa, entrevistou sobreviventes e testemunhas e analisou a filmagem. Também visitou o local de aterrissagem da nave em Lakehurst e vasculhou os arquivos do Museu do Zeppelin, em Friedrichshafen, no sul da Alemanha. Uma vez que estava com a teoria estruturada, ele a submeteu a testes químicos e físicos no laboratório.

Testes decisivos

Trabalhando com materiais originais, Bain analisou a cobertura externa e descobriu que era composta de óxido de ferro coberto com cinco camadas adicionais de acetato de celulose, aplicado para endurecer a cobertura e proteger a estrutura da umidade. Os cientistas da NASA reconheceram imediatamente a mistura: era praticamente idêntica a combustível de foguete. O dirigível estava recoberto com uma das substâncias mais combustíveis que se conhecem.

O reflexo prateado do Hindenburg devia-se a um acabamento com pó de alumínio. Era uma inovação relativamente recente, já que o Graf Zeppelin, mais antigo, usara tinta e catalizador diferentes. Bain sabia que alumínio também queimava facilmente sob essa forma.

Bain submeteu a amostra do tecido a um teste de propagação de fogo. Mesmo mais de 60 anos depois, ela ardeu instantaneamente.
Um segundo teste mostrou que a cobertura do balão não conduziria eletricidade. Na opinião de Bain, a estrutura acumulou por isso uma carga elétrica estática, que teria deflagrado o incêndio ao ser descarregada para a terra durante as operações de pouso.

Num terceiro teste, uma amostra foi submetida a campos de alta voltagem similares às condições atmosféricas existentes na noite do desastre: novamente, o tecido se incendiou e estava reduzido a cinzas em poucos segundos.

Uma carta de 28 de junho de 1937 que Bain encontrara no Museu Zeppelin apoiou suas conclusões. Ela fora manuscrita por Otto Beyersdorff, engenheiro elétrico contratado pela Companhia Zeppelin como investigador independente.

Depois de realizar uma série de testes em laboratório, Beyersdorff concluíra que “o incêndio foi causado pela natureza extremamente inflamável do material de cobertura e desencadeado por descargas de natureza eletrostática”.

Desmentidos e falsas explicações

Fim da era dos dirigíveis

Depois de removidos os mortos e feridos, apenas o esqueleto retorcido do Hindenburg ficou em Lakehurst. A crença de que o hidrogênio foi a causa do desastre encerrou a era dos imponentes dirigíveis de carreira.

Apesar desse laudo de bases incontestavelmente técnicas, Hugo Eckener, presidente da Companhia Zeppelin, continuou a insistir em que a culpa era do hidrogênio. Mas há evidências claras de que a companhia acreditava em Beyersdorff e sabia exatamente o que tinha causado o desastre do Hindenburg. Modificações urgentes foram feitas no Graf Zeppelin II, irmão do Hindenburg, que na época estava em construção. Sulfamato de cálcio, uma substância à prova de fogo, foi adicionado à pintura, e pó de bronze substituiu o pó inflamável de alumínio.

É possível, embora não haja provas, que os diretores da Companhia Zeppelin tenham sofrido pressão do governo alemão para não revelar a causa real do desastre. Era impensável que engenheiros capazes de desenvolver tal tecnologia tivessem cometido erros tão banais. O orgulho alemão estava em jogo, e, para o Terceiro Reich, ele era mais importante que a queda do Hindenburg.

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