Crítica à numerologia

Algumas pessoas notam o repetido aparecimento de um número em particular em seu dia-a-dia, em arquivos históricos, ou em textos religiosos como a Bíblia. Às vezes parece que a repetição é muito freqüente para ser coincidência. Em alguns casos, as pessoas teorizaram que estes números que se repetem têm um significado especial ou demonstram a influência de uma divindade ou força sobrenatural. Apesar de não ser estritamente do domínio da numerologia, esta percepção geralmente atribui qualidades numerológicas aos números que aparecem com freqüência. É o que levou ao Enigma do 23 e outras crenças de que números específicos estão no centro de uma estrutura ou conspiração.

Os críticos, por outro lado, reduzem estas ocorrências a mera coincidência por várias razões:

  • As pessoas são boas em reconhecer padrões. Se por um lado isso ajuda as pessoas a aprenderem a ler, contar e reconhecer rostos, por outro lado estimula as pessoas a interpretar eventos aleatórios como padrões.
  • Por causa do pequeno número de numerais que existem no mundo, as repetições são inevitáveis.
  • Por causa do pequeno número de números inteiros, quadrados ou de outros tipos de números especiais no mundo, a repetição destes também é inevitável.

O paradoxo do dia do aniversário
As pessoas geralmente ficam animadas quando descobrem que um amigo ou conhecido faz aniversário no mesmo dia em que elas. No entanto, é comum pessoas terem o mesmo dia de aniversário - em um grupo de 23 pessoas, há uma probabilidade de 50% que duas façam aniversário no mesmo dia. Para aprender mais sobre o paradoxo do aniversário, confira O Problema do Aniversário da Wolfram Math World (em inglês) ou a nossa pergunta do dia sobre o assunto.

As mesmas críticas também podem ser aplicadas à prática da numerologia. Por exemplo, alguns praticantes dizem que vêem seus números em todo lugar, o que confirma que a numerologia é real. No entanto, dizem os críticos, o aparecimento freqüente é coincidente. Além disso, os críticos destacam que as pessoas provavelmente vão se lembrar de terem visto seus números e esquecer que viram outros números. Em outras palavras, uma pessoa cujo número seja sete vai lembrar de ter visto vários setes, ao passo em que desprezarão todos os seis, oitos, e outros números que encontrar. É mais provável que as pessoas também se lembrem dos atributos numéricos que se aplicam a eles, e passem batido pelos que não se aplicam. Este fenômeno é chamado de tendência da confirmação.

Mas a maior crítica à numerologia é que ela é baseada em um sistema de cálculo inventado. Este sistema foi desenvolvido para permitir que as pessoas contassem objetos em grupos de dez, muito provavelmente porque a maioria das pessoas tem dez dedos que podem ser usados para contar. Mesmo as palavras inglesas para os números, que vêm do Inglês Antigo, refletem estes grupamentos de dez. "Eleven" (onze) significa "one left" (um à esquerda) e "twelve" (doze) é uma abreviação de "two left" (dois à esquerda).

No entanto, este sistema, conhecido como um sistema decimal, não é o único - nem necessariamente o mais antigo - sistema de contagem. Tribos indígenas na Austrália, Nova Guiné, África e América do Sul desenvolveram sistemas numéricos que contam em pares. Ao invés de um, dois, três, quatro, cinco, seis etc. Eles progrediam na linha de um, dois, dois mais um, dois dois, dois dois mais um, três dois. Alguns cientistas usavam os sistemas duodecimal (base 12) e sexagesimal (base 60), que ainda usamos para contar o tempo.

Ou seja, a numerologia, como a astrologia, é baseada em um sistema inventado que as pessoas desenvolveram para organizar melhor os objetos à sua volta. Apesar das pessoas acharem que estes sistemas ajudam em um nível espiritual ou emocional, não há evidência científica de que o sistema realmente funcione da forma como os praticantes dizem que funciona.

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