O nirvana budista

Diversidade religiosa
Tanto o hinduísmo como o budismo são divididos em várias segmentos diferentes com uma ampla gama de crenças. Muitos teólogos nem mesmo reconhecem o hinduísmo como uma única religião, mas como um aglomerado de práticas religiosas que une vários grupos diferentes.

Conseqüentemente, há pouquíssimas qualidades ou crenças que podemos atribuir ao hinduísmo ou ao budismo como um todo. Porém, há várias idéias que caracterizam de maneira geral as duas religiões e, quando falarmos das crenças hindus e budistas, estaremos nos referindo a estas doutrinas gerais comuns à maior parte das principais segmentos.

O termo nirvana associa-se com o hinduísmo, a religião mais antiga do mundo, e com o budismo, sua ramificação mais conhecida. Nas duas religiões, a palavra se refere a um estado mais elevado do ser. O modo como cada uma delas enxerga este estado, porém, é muito diferente. E examinar a distinção entre esses conceitos do nirvana vai nos dar uma maneira excelente de entender algumas das maiores diferenças entre as duas religiões.

O nirvana costuma ser associado principalmente ao budismo, que teve sua origem no hinduísmo durante o século V a.C. Ele começou como um movimento, baseado na filosofia e vida de um homem chamado Sidarta Gautama, dentro do próprio hinduísmo e, eventualmente, se separou para criar seu próprio caminho.

Esse homem, Sidarta Gautama, que posteriormente se tornou o Buda ("o desperto"), nasceu em uma família rica e que governava alguns territórios por volta de 563 a.C., no que hoje é o Nepal moderno. De acordo com a lenda budista, ele levava uma vida protegida e cheia de regalias até completar cerca de 20 anos de idade.

Então, começou a questionar o valor espiritual de sua vida confortável e decidiu abandonar todas as suas posses e ligações emocionais, incluindo sua mulher e um filho jovem. Ele queria compreender a verdadeira natureza da vida e via essas ligações como distrações, em uma idéia que estava de acordo com o pensamento hindu.

Então, tornou-se um shramana, um asceta errante e sem teto cuja vida era dedicada à meditação. Esperava encontrar a iluminação ao desligar-se completamente do mundo, lançando-se ao oposto do que era a sua vida anteriormente e, com o tempo, afastou-se cada vez mais da vida mundana, chegando ao ponto de estar próximo da inanição. E, ainda assim, ele não havia atingido a iluminação.


Imagens de Buda são comuns em templos budistas. A maioria dos segmento acredita que a arte pode levar a momentos de iluminação.

Ele chegou à conclusão que se continuasse nesse caminho, morreria sem atingir qualquer tipo de compreensão. E foi então que abandonou sua vida de asceta e aceitou uma refeição oferecida por um estranho. Ele decidiu trilhar o caminho do meio, a vida entre o luxo e a pobreza que havia conhecido.

E, como diz a lenda, foi logo após escolher esse caminho que Sidarta finalmente atingiu a iluminação. Enquanto meditava sob uma árvore, viu todas as suas vidas passadas, para então ver as vidas passadas de outros seres. Finalmente, obteve um conhecimento perfeito e onisciente do nosso mundo e do mundo além do nosso.


O budista mais famoso atualmente, Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama: seus seguidores o consideram um buda vivo, a encarnação do Buda da Compaixão (em inglês)
No budismo, este estado, que o Buda não pode descrever com a linguagem, chama-se nirvana, uma palavra que significa "extingüir" em sânscrito. Neste caso, significa extingüir a ignorância, ódio e sofrimento material. O termo é mais associado ao budismo, embora seja associado com um conceito semelhante no hinduísmo (como veremos mais adiante).

Ao atingir o nirvana, é possível escapar da samsara, o ciclo de reencarnação que é característica tanto do hinduísmo como do budismo. Em cada vida, uma alma é punida ou recompensada baseando-se em suas ações passadas, ou carma, feitas na vida atual e em vidas passadas (que também inclui vidas que vivemos como animais). É importante perceber que a lei do carma não ocorre devido ao julgamento de um deus sobre o comportamento da pessoa; na verdade, é algo mais parecido com as leis do movimento de Newton: cada ação tem uma reação de mesma intensidade e no sentido oposto. Acontece automaticamente, por si só.

Quando atingimos o nirvana, paramos de acumular mau carma pois já o transcendemos. passando o resto de nossa vida, e algumas vezes vidas, eliminando o mau carma que já havíamos acumulado.

Uma vez que tivermos escapado totalmente do ciclo cármico, atingimos o parinirvana, o nirvana final, no além-vida. Da mesma maneira que ocorre com o nirvana hindu, as almas que atingiram o parinirvana ficam livres do ciclo de reencarnação. Buda nunca especificou como era o parinirvana e, de acordo com o pensamento budista, ele está além da compreensão humana normal.

Na próxima seção, vamos descobrir o que o Buda receitou para atingir o nirvana na Terra e o parinirvana no além-vida.