A vida de Nietzsche

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Editores do HowStuffWorks

Descendente de uma longa linhagem de comerciantes, mas com pai e avô que eram pastores luteranos, Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844, na Saxônia, então província do Império Prussiano. Ele passou uma infância mimada e religiosa, numa casa habitada por muitas mulheres, o que incluía sua mãe, sua avó, duas tias e a irmã mais nova. Aos treze anos foi para um internato e começou a demonstrar seu brilhantismo intelectual, o que o levou a colocar em dúvida sua fé e o fez se sentir deslocado em relação ao mundo.

Mesmo com dúvidas sobre sua fé, quando chegou aos dezenove anos foi estudar teologia e filologia clássica na Universidade de Bonn com o objetivo de se tornar pastor. O ingresso na Universidade mudou a personalidade de Nietzsche. De aluno solitário, ele se tornou bem sociável, aderindo à congregação e às outras típicas atitudes estudantis, como as bebedeiras e participações em duelos. Nessa época decidiu que não seguiria a carreira religiosa e se transfere para a Universidade de Leipzig com o objetivo de concentrar-se nos estudos de filologia clássica.     

Aos 21 anos, Nietzsche foi conhecer Colônia e protagonizou um episódio pitoresco. Em sua chegada à cidade teria pedido a um carregador que o levasse a um restaurante. Mas, em vez disso, o homem o levou a um bordel. Segundo o relato de Nietzsche, ao ver-se cercado por aquelas mulheres, ficou paralisado e para se livrar daquela situação ele tocou um pouco de piano e fugiu. Mas a experiência no bordel parece ter agradado e bastante a Nietzsche que passou a freqüentá-los, tanto em Colônia como em Leipzig. Foi nessa fase que ele contraiu sífilis. A infecção o transformou num homem muito doente e algumas décadas prá frente o levou à loucura.

Nessa época, as ideias filosóficas de Schopenhauer, com seu pessimismo e distanciamento, começaram a influenciar Nietzsche. Uma delas dizia respeito ao papel desempenhado pela vontade humana, que Nietzsche transformaria em um de seus principais conceitos filosóficos: a vontade de potência. Após um período servindo ao exército prussiano, Nietzsche volta à Universidade de Leipzig. Nessa nova estadia na cidade, ele conhece e desenvolve uma amizade com o compositor Richard Wagner. Mesmo após Nietzsche mudar-se para a Basiléia, na Suíça, para lecionar na Universidade local, a amizade entre o jovem e brilhante filósofo e o consagrado e excêntrico compositor perduraria por anos. Mas o distanciamento de Nietzsche das idéias de Schopenhauer, de quem Wagner era também um entusiasta, e a megalomania do compositor os levaram a uma ruptura.

O rompimento com Wagner foi marcado pela publicação de uma coletânea de aforismos na obra “Humano, demasiado humano”. Com ela, o filósofo mostrava-se como o melhor psicólogo do seu tempo, já que para muitos a fonte principal dessa obra foram as observações que Nietzsche fez dos enigmas psicológicos contidos na personalidade de Wagner.

Quando tinha 35 anos de idade, a saúde frágil que resultava em enfermidades contínuas o obrigou a se desligar da Universidade da Basiléia. Com uma pequena pensão, perambulou pela Itália, França e Suíça sempre em busca de um local que amenizasse seu mal-estar físico. Em suas intermináveis viagens por spas e climas amenos, Nietzsche desenvolveu suas idéias sobre o super-homem, que aparece na obra “Assim Falou Zaratustra”. Nessas perambulações, Nietzsche conheceu o filósofo alemão Paul Rée e a jovem e bela intelectual russa Lou Salomé. Os três formaram uma espécie de triângulo amoroso platônico que terminou com os dois pedindo, sem sucesso, Lou em casamento e a separação em definitivo do trio.

Mesmo cada vez mais doente, Nietzsche produziu a cada ano admiráveis obras como “Aurora”, “A Gaia Ciência” e “Além do Bem e do Mal”. Apesar disso, nos anos 1880 ele continuava a ser um autor sem o reconhecimento e, portanto, desconhecido. A solidão extrema, o excesso de trabalho e a falta de reconhecimento foram demais para ele. Em 1889, Nietzsche teve um colapso e tornou-se clinicamente louco. Ele morreu em 25 de agosto de 1900, às vésperas do início do século 20 cujas características ele previra tão bem em sua obra.