Introdução sobre Nero
Ele tem a fama de ter
tocado fogo em Roma e de ter apreciado sadicamente a cidade arder em chamas enquanto tocava lira no terraço do seu palácio. Mas não foi nada disso. Investigações de historiadores indicam que o fogo que destruiu um terço de Roma no ano de 64 pode ter começado acidentalmente numa área densamente povoada, pobre e cheia de construções de madeira. Além disso, incêndios em Roma eram comuns naquela época, justamente por conta das precárias condições habitacionais. Alguns arriscam a dizer que Nero inclusive teria participado das brigadas de combate ao gigantesco incêndio.
 © iStockphoto.com /Duncan1890 Nero foi o quinto imperador romano
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Mas com um histórico familiar cheio de atos insanos, traições, assassinatos e conspirações para alcançar e manter o poder, era bem provável na imaginação popular que Nero fosse capaz de incendiar Roma e assistir a tudo enquanto tocava seu instrumento musical preferido. Além do mais, ele estava louco para demolir várias construções antigas da capital do poderoso Império Romano e erguer prédios mais modernos como parte de um ambicioso projeto de reurbanização. E um incêndio nessas áreas bem que viria a calhar.
Nero era sobrinho do extravagante, polêmico e, para muitos, insano imperador Calígula. Sua mãe, Agripina, a Jovem, não era flor que se cheirasse. Bela, a ponto de poucos resistirem aos seus encantos, ela envenenou o segundo marido para ficar com uma herança milionária, conspirou contra Calígula, de quem era irmã e amante, e, pensando no futuro de seu filhinho, não hesitou em namorar o imperador Cláudio - que era seu tio -, e casar-se com ele para virar imperatriz (não sem antes livrar-se de Valéria Messalina, até então esposa do imperador). Suspeita-se ainda que ela tenha envenenado também Cláudio, seis anos após estarem casados, e Britânico, o filho de Cláudio com Messalina. Tudo isso para deixar o caminho livre para que Nero virasse imperador.
O que os historiadores têm mostrado é que, mesmo com antecedentes familiares tão negativos, Nero foi um excelente administrador, levando Roma a uma era de prosperidade econômica, fez o que pôde para evitar guerras e reduzir as crueldades praticadas naquela sociedade escravagista e, como um bom apreciador da cultura grega, foi um entusiasta do desenvolvimento das artes em Roma.
Essa faceta de homem público dedicado e ilibado sucumbe mais uma vez quando emerge a sanguinária vida pessoal de Nero. Ele acabou por assassinar a mãe, a terrível Agripina, quando percebeu que ela conspirava contra ele junto aos senadores romanos, também não perdoou seu preceptor Sêneca, um dos mais importantes filósofos e escritores romanos, nem titubeou em livrar-se de sua esposa quando se apaixonou por uma estonteante jovem.
Por essas e outras, como a perseguição aos cristãos, Nero é um dos personagens mais polêmicos da História e sua vida é um enredo recheado de intrigas, matricídio, traições, artes e poder, entre outros ingredientes. Nas próximas páginas, saiba um pouco mais sobre a vida desse que foi o quinto imperador romano.
Nero na capital do mundo Nos tempos de Nero, Roma era a capital do mundo antigo. Cerca de um milhão de habitantes moravam na cidade, que tinha uma enorme diversidade étnica e cultural com romanos, árabes, etíopes e imigrantes de várias regiões convivendo. Roma era barulhenta e caótica, com ruas estreitas e multidões de mercadores gritando, movimento de crianças indo para escolas e homens frequentando as tabernas e os banhos públicos. Uma das principais atrações eram as competições entre os gladiadores em que escravos e desocupados enfrentavam-se até a morte. Durante seu governo, Nero tinha um plano ambicioso: reubanizar Roma para pôr ordem no caos e tornar a cidade mais bonita com a construção de vários palácios. Após o incêndio que acabou com um terço da cidade, ele começou a implantar sua ideia na área destruída pelo fogo. Um dos palácios que construiu tinha 300 quartos, paredes de mármore, um lago artificial e uma estátua sua de 45 metros de altura. O palácio ocupava originalmente um quilômetro quadrado. As pinturas em suas paredes inspirariam vários artistas do Renascimento como Rafael.
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