Estudo de caso: Princes Gate

Em abril de 1980, membros do Movimento Revolucionário Democrático para a Liberação dos Arabistas tomaram a embaixada em Princes Gate, em Londres, Inglaterra. Os terroristas fizeram 26 reféns em sua busca de liberação para a província iraniana arabista.

Os negociadores mantiveram o líder dos terroristas falando por três dias, dando a ele a cobertura da mídia conforme sua exigência (apesar de um trabalho de reportagem malfeito pela BBC que o deixou com muita raiva) e ganhando a libertação de dois reféns doentes. Eles ganharam sua confiança e o fizeram adiar vários prazos. Eles o mantiveram focado em detalhes sem importância, como o tipo de ônibus que ele queria e o tipo de comida a ser trazida.

Durante todo o impasse, a polícia foi trabalhando para conseguir informações sobre o interior do prédio, um complexo de escritórios. As informações chegavam por meio de reféns libertados, entrega de comida e câmeras e microfones pendurados nas chaminés ou através das paredes.

Infelizmente, os terroristas executaram um refém (segundo se soube, porque ele discutiu os méritos do Islã com eles), o que forçou as forças britânicas a entrarem em ação. Eles combinaram um ataque planejado com cuidado, com o negociador providenciando a distração. Essa foi uma brecha do protocolo padrão: geralmente os negociadores não são informados quando vai haver um ataque porque é muito difícil dar alguma pista pelo tom de voz ou escolha das palavras. Nesse caso, contudo, manter o líder dos terroristas no telefone o deixou longe das janelas, dando às tropas algum tempo extra para entrar no edifício antes que os seqüestradores descobrissem o ataque.

O ataque teve relativo sucesso. Os terroristas mataram um refém quando perceberam que estavam sob ataque, e o resto dos reféns escapou do edifício com vida. As forças britânicas mataram cinco terroristas durante o combate, incluindo o líder, e prenderam o sexto.

Para saber tudo sobre a situação em Princes Gate, veja Operação Nimrod: O ataque SAS em Princes Gate (site em inglês).

Na próxima seção, vamos descobrir como alguém se torna um negociador de refém profissional.

Como manda o figurino
O tenente Schmidt descreveu um incidente relativamente comum que foi resolvido pacificamente porque os negociadores seguiram o treinamento. A primeira ligação telefônica veio de uma mulher que estava envolvida em uma briga com o marido, que ficou com raiva e carregou um revólver. Embora ele não tenha apontado a arma para ela, ela estava tão apavorada que chamou a polícia de outra parte da casa, secretamente.

Quando a polícia de Cheektowaga atendeu, eles prepararam uma unidade tática, que é a equipe da SWAT, para estabelecer o perímetro ao redor da casa. Uma unidade de apoio tático, que monta os equipamentos de comunicação, lida com a logística e inclui os negociadores, deu suporte à equipe da SWAT. Quando é possível, a unidade de apoio tático usa dois negociadores: um principal e outro secundário. Nesse caso, o tenente Schmidt estava atuando como secundário.

Eles fizeram o contato por telefone com o seqüestrador e continuaram a negociar com ele por várias horas. O negociador desenvolveu uma certa harmonia, discutindo os problemas conjugais que o levou até aquele "ponto crítico". Embora ele ainda não tivesse atirado ou mirado em alguém, ameaçou usar a arma; então, havia perigo real para a refém e para a polícia. No final, por causa da relação que criaram, foram capazes de convencê-lo a deixar a arma dentro da casa, sair pela porta da frente e se entregar. "É muito importante conseguir que eles deixem suas armas para trás quando se entregam", disse o tenente Schmidt.

A equipe da SWAT levou o seqüestrador em custódia sem incidentes.