Fazendo um acordo


Um seqüestrador ameaça o capitão John Testrake enquanto ele se recosta no assento do piloto do vôo 847 da TWA em Beirute, em junho de 1985
No início da crise com reféns, as exigências dos sequestradores geralmente não são razoáveis. Eles podem pedir enormes somas de dinheiro ou a libertação de milhares de companheiros terroristas das prisões. É claro que o negociador não pode apenas dar a eles qualquer coisa que peçam, mesmo que isso signifique segurança para os reféns. As polícias de qualquer nação envolvida, a habilidade para realmente adquirir os itens a serem exigidos e a necessidade de consultar o comandante da situação e os altos oficiais políticos, tudo limita o que o negociador pode oferecer aos seqüestradores. Além do que, se alguém que fizer reféns imediatamente tiver todas suas exigências concedidas, o mundo enfrentaria uma crise após a outra.

Entretanto, o negociador pode "contribuir" com a situação oferecendo concessões menores, como comida e água, promessas de transporte e cobertura da mídia. Em retorno, os seqüestradores podem trocar alguns dos reféns ou algumas de suas armas ou concordar em reduzir suas exigências. Continuando esse processo, o negociador pode gradualmente enfraquecer a posição do seqüestrador.

A maioria dos países tem oficiais de polícia ligados à negociação com terroristas. Entretanto, esses policiais mudam com o tempo, e tendem a ser flexíveis dependendo da situação. Se os reféns são crianças ou políticos importantes, mesmo o governo mais linha-dura e que não aceita negociar faz a exceção. Em muitos casos, acordos secretos são feitos permitindo que o governo aceite as exigências e salve os reféns, mas mantendo sua postura linha-dura em público contraria a ceder às exigências dos terroristas.

Israel, Estados Unidos e Rússia são as nações que têm a reputação de políticas restritas e não negociáveis. Contudo, toda política está aberta a exceções. Um exemplo é o do seqüestro do vôo 847 da TWA, em 1985. Os seqüestradores do Hezbollah exigiram a liberação de mais de 700 xiitas que estavam em prisões israelenses. Após uma longa provação, todos os reféns foram liberados (exceto um americano, assassinado pelos seqüestradores), e Israel liberou 766 prisioneiros.

Os jogos olímpicos de Munique de 1972
O ataque e o cerco da Vila Olímpica em Munique nos jogos de verão de 1972 foram desencadeados por uma advertência: duas cartas haviam sido enviadas para os oficiais olímpicos solicitando que os atletas palestinos fossem reconhecidos e que tivessem permissão para participar. Nenhuma das cartas foi considerada. Em 5 de setembro, um grupo autodenominado Setembro Negro matou vários atletas israelenses e se garantiu no processo fazendo nove reféns israelenses.

As negociações duraram menos de 24 horas, e enquanto isso os seqüestradores exigiam a liberação de centenas de palestinos de prisões na Europa e no Oriente Médio. Os negociadores recusaram os prazos repetidamente até as 10 horas da noite, quando os oficiais da Alemanha Ocidental perceberam que não conseguiriam cumprir as exigências dos terroristas. Eles aceitaram o pedido dos seqüestradores e entregaram a eles um ônibus para que fossem para os dois helicópteros que os levariam para o aeroporto. Lá, embarcaram em um avião. Os alemães sabiam que sua única chance em um ataque de sucesso aconteceria no aeroporto (Aston, p. 80).

O tiroteio e a batalha de granadas, ocorridos pouco depois de os helicópteros pousarem no aeroporto, acabaram matando todos os reféns, bem como os policiais e um piloto. Cinco dos terroristas foram assassinados e três, capturados.