Os objetivos e as táticas do negociador

Trabalho de equipe
Os negociadores de reféns podem trabalhar em equipes, com um negociador principal e outro secundário. O negociador secundário ouve todas a comunicação entre a polícia e o seqüestrador, toma notas e providencia apoio, auxílio e sugestões para o negociador principal. Algumas vezes, o principal "empaca" e não consegue pensar na coisa certa a dizer, então o secundário pode ajudar.
Os objetivos do negociador principal são:

prolongar a situação - quanto mais a situação durar, é mais provável  que termine pacificamente. As táticas incluem os pretextos, enquanto um oficial de maior autoridade é consultado, conseguindo que os prazos sejam repelidos, enfocando a atenção dos seqüestradores em detalhes como o tipo de avião que eles querem e fazendo perguntas abertas para eles ao invés de perguntas de "sim" ou "não";

garantir a segurança dos reféns - isso significa convencer o seqüestrador a permitir tratamento médico ou a liberação de reféns doentes ou feridos, negociando a entrega de comida e água e a liberação de quantos reféns for possível. Conseguindo que alguns dos reféns saiam da situação não apenas garante sua segurança mas também simplifica a situação no caso da necessidade de um ataque armado. Além disso, a liberação de reféns pode fornecer valiosas informações sobre o local e os hábitos dos captores e outros reféns;

manter as coisas calmas - desde o ataque inicial e durante todas as primeiras horas de negociações, os seqüestradores podem ser extremamente explosivos. Eles geralmente estão com raiva de algo que consideram uma injustiça e que os levou a fazer reféns e cheios de adrenalina seguida de excitação por causa do ataque. Pessoas com raiva e excitadas portando metralhadoras não são boas para os reféns. O negociador nunca deve discutir com o seqüestrador ou dizer "não" a uma exigência. Em vez disso, deve usar táticas de protelação ou fazer uma contra-oferta. Acima de tudo, ele deve manter uma atitude positiva e otimista, reassegurando ao seqüestrador que tudo vai terminar em paz;

encorajar o crescimento da relação entre o negociador e o seqüestrador e entre ele e os reféns - o negociador deve parecer crédulo para o capturador. Isto é, deve agir como se entendesse as razões para as ações do seqüestrador mas ainda se apresentar forte - não apenas ansioso para comprazê-lo. O negociador também pode encorajar as atividades que pedem cooperação e interação entre os captores e os reféns, como enviar comida e medicamentos em grandes pacotes que precisam ser preparados. Quando o seqüestrador consegue conhecer os reféns e os vê como seres humanos, se torna mais difícil executá-los. Em um impasse com reféns em 1975 em um trem na Holanda, um refém, Robert de Groot, escolhido para morrer, foi poupado pelos terroristas, que o ouviram rezar por sua esposa e seus filhos. Alguns dos seqüestradores choraram, e dois deles concordaram em evitar um tiro letal quando eles o empurraram do trem. Ele rolou por um dique e saiu ileso, fingiu de morto e escapou um pouco depois (Barker, p. 33). Quando os terroristas escolheram outro refém para a execução, não permitiram orações, matando-os rapidamente para evitar tensão emocional.

A seguir, vamos descobrir como os negociadores equilibram a segurança dos reféns com a realidade política.

Síndrome de Estocolmo
Passar horas, dias e meses juntos não apenas alimenta sentimentos da parte do seqüestrador em relação ao refém. Os reféns muitas vezes também desenvolvem simpatia por seus captores. Isso é conhecido com Síndrome de Estocolmo, batizada por causa de um assalto a banco sueco que deu errado, resultando em um seqüestro de seis dias. Os reféns acabaram auxiliando o assalto, agindo como observadores e aconselhando o assaltante, enquanto gradualmente passavam a ver a polícia do lado de fora como inimiga. Umas das mulheres entre os reféns até mesmo se casou com seu seqüestrador enquanto ele ainda estava na prisão.

Há razões psicológicas complicadas para a Síndrome de Estocolmo. Em parte, é um mecanismo de defesa que permite que a pessoa enfrente uma situação que, do contrário, seria insustentável. Também tem algo a ver com poder: o seqüestrador tem o poder de matar os reféns e, quando ele não o usa, o alívio do refém pode se transformar em gratidão, eventualmente desenvolvendo simpatia. Além disso, o medo da polícia entrar rapidamente na situação e matar os reféns acidentalmente em um tiroteio é muito poderoso e ajuda a fazer com que os reféns se virem contra as autoridades.