Os seqüestradores

Uma das primeiras coisas que um negociador faz quando chega na cena de uma crise de refém é descobrir o que for possível sobre o seqüestrador. A questão mais básica é: por que essa pessoa tomou alguém como refém? Há algumas razões comuns.

  • O seqüestrador pode ser emocionalmente ou mentalmente perturbado. Sua razão específica para dominar um refém pode ser ilógica. Ele pode ser suicida. Esse é o único tipo de situação em que o refém é muitas vezes parente do seqüestrador. Esse tipo de situação de refém não é planejado.

    De acordo com o tenente Gary Schmidt, do Departamento de Polícia de Cheektowaga, em Cheektowaga, NY, esse é o tipo de situação de refém que o policial enfrenta muitas vezes. "Na maioria das vezes, é apenas uma pessoa envolvida em uma disputa doméstica, entrincheirada em casa. Os reféns são membros da família no mesmo edifício".

  • Alguns criminosos usam inocentes espectadores curiosos como escudos humanos para se proteger da polícia. Na maioria dos casos, isso acontece quando um criminoso é pego, entra em pânico e agarra um refém para ajudá-lo a escapar. Em casos raros, os reféns são parte de um plano usado por criminosos profissionais para ajudá-los a escapar, mas geralmente isso não é planejado.

  • A situação de refém mais famosa da história foi o resultado de um ataque cuidadosamente planejado por terroristas e grupos políticos radicais. Os seqüestradores tinham intenção desde o começo de negociar as vidas dos reféns por objetivos específicos. Isso pode variar de mudanças na política de um ou mais países, liberação de prisioneiros políticos ou revogação de leis específicas. Os grupos terroristas também podem ter objetivos que alcancem independentemente do resultado: desestabilizar o alvo de seus ataques e atrair a atenção para sua causa.

Seqüestro é uma forma de crise de refém, mas não se assemelha à típica situação na qual o seqüestrador fica entrincheirado em uma área conhecida. Os seqüestradores mantêm seu refém em um local secreto e os contatos são muitas vezes em apenas uma direção: os seqüestradores dizem às autoridades o que fazer. Como resultado, não há muita negociação.

Independentemente da motivação do seqüestrador, o elemento básico da negociação permanece o mesmo. "Você trabalha para construir uma harmonia e encorajá-los a chegar a um final pacífico. As mesmas técnicas são usadas sempre que alguém está em crise", afirmou o tenente Schmidt.

Na próxima seção, vamos descobrir o que um negociador faz na cena de uma situação de refém.