Se capturados, os nazistas de nível inferior que supostamente ainda estão vivos não enfrentarão acusações individuais como seus superiores enfrentaram. Mesmo assim, eles seriam acusados por crimes contra a humanidade por suas ações como guardas ou oficiais nos campos de concentração que os nazistas mantiveram durante a Segunda Guerra Mundial (em inglês). Entretanto, pelo menos uma pessoa viva enfrentará uma lista de acusações específicas caso seja encontrado. Esse homem é o mais procurado de todos no Simon Wiesenthal Center.
Aribert Heim, médico austríaco que trabalhou nos campos de concentração durante a guerra, possui uma recompensa de US$ 448 mil sobre sua cabeça. Heim, agora com 93 anos (se ainda estiver vivo), ganhou o repugnante apelido de "Doutor Morte" devido a seus experimentos nos campos de Sachsenhausen, Buchenwald e Mauthausen. Foi onde ele realizou cirurgias desnecessárias em prisioneiros, como amputações sem anestesia. Sobreviventes dos campos dizem que Heim apreciava observar os internos, em cujos corações injetava gasolina, água ou veneno, para ver quanto tempo levava para eles morrerem. A carne da cabeça de um homem submetido a tal injeção foi mais tarde fervida e sua caveira era utilizada como peso de papel. Como presente para um comandante do campo, afirma-se que Heim tenha feito coberturas de poltronas com a pele dos internos. No total, acredita-se que Heim tenha matado pessoalmente cerca de 300 pessoas.
![]() Eric Schwab/AFP/Getty Images Prisioneiros do campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha, em abril de 1945, logo após o campo ter sido libertado pelo exército do General George S. Patton |
Embora, na autobiografia de 2007 do soldado israelense Danny Baz, o autor reconte a história de sua participação na captura e no assassinato de Heim em 1982, o Wiesenthal Center ainda acredita que Aribert Heim esteja vivo. Ele rejeitou um relatório da família de Heim que afirmava que ele havia morrido de câncer em 1993. Os investigadores têm boas razões para continuarem procurando Heim.
Uma conta bancária em seu nome, contendo mais de US$ 1 milhão, deveria ser reivindicada por sua família se, de fato, ele estivesse morto. Mas seus herdeiros nunca reclamaram o dinheiro. Seu filho instalou uma linha telefônica no nome de Heim na Dinamarca, em 2005, para onde acredita-se que o doutor tenha fugido após sua quase captura na Espanha [fonte: Fuchs]. Em 2001, um advogado da família arquivou um pedido de Heim para uma restituição de impostos na Alemanha, justificando que o homem estaria vivendo no exterior naquela época [fonte: Carroll, Goni (em inglês)]. E a filha do primeiro casamento de Heim vive perto da fronteira de San Carlos de Bariloche, no Chile.
Todas as provas da existência de Heim são circunstanciais, mas ainda não são suficientes para o Simon Wiesenthal Center. Eles continuarão a caçar Heim e outros nazistas durante a "Operação Última Chance", sem piedade e indiferentes quanto à idade que esses homens possam ter atualmente. "A passagem do tempo não diminui, de maneira alguma, os crimes cometidos por eles", diz Zuroff [fonte: Wiesenthal Center].
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