As raízes do nazismo e sua ascensão ao poder

Autor: 
Sílvio Anaz

As raízes do nazismo estão na história germânica e num conjunto de ideias aparentemente não tão nocivas como demonstraram ser quando foram colocadas em prática por Adolf Hitler, o principal líder do Partido Nacional-Socialista alemão entre as décadas de 1920 e 1940.

Hitler
Foto cortesia U.S. NARA
O líder nazista Adolph Hitler (direita) junto com o lider fascista italiano Benito Mussolini, em 1940

Uma das principais características nazistas foi a disciplina militar e o espírito militante que o partido impôs a seus integrantes e depois a toda a população alemã. Este comportamento pode ser creditado à tradição prussiana desenvolvida desde o século 17 por líderes como o rei Frederico, o Grande, e o primeiro-ministro Otto Von Bismarck, que usavam o exército prussiano como modelo para a vida civil de todos os cidadãos. Já o nacionalismo exacerbado e o antissemitismo, outras marcas fortes do nazismo, têm suas origens nos ideais de expansionismo pan-Germânico da Áustria e em movimentos políticos austríacos que alimentavam o ódio contra os judeus.

O antissemitismo não foi uma invenção nazista, mas o nacional-socialismo alemão conseguiu transformá-lo numa política de Estado e dar ao ato de extermínio dos judeus justificativas "científicas". A perseguição e a intolerância com os judeus existia desde a Antiguidade - os babilônicos e os romanos foram responsáveis pelas primeiras diásporas deles - e, na Idade Média, a Igreja Católica associou os judeus ao diabo, forçando muitos deles à conversão ao Cistianismo para escapar da Inquisição.

Esse estigma contra os judeus foi usado pelo nazismo junto com uma teoria científica chamada de "eugenia". Espécie de aplicação distorcida ao mundo social da teoria da evolução de Darwin e das ideias de Gregor Mendel, pai da genética, a eugenia acreditava na manipulação dos genes humanos para criar uma "raça" melhor e pura. Essa também não era uma ideia original dos nazistas, já que vários experimentos ligados à ideia de eugenia estavam em andamento nos Estados Unidos e países europeus, resultando em esterilizações em massa dos portadores de genes "degenerados", segundo os defensores da teoria, como deficientes, negros, judeus, alcoólatras e latinos, entre outros. O que os nazistas fizeram foi aproveitar o estigma existente contra os judeus no imaginário da população alemã e apresentar um  argumento "científico" para justificar a perseguição e o extermínio deles.        

Esse conjunto de ideias numa plataforma política, no entanto, provavelmente não levaria ninguém ao poder em uma sociedade que estivesse em uma situação socioeconômica estabilizada. Mas esse não era o caso da Alemanha. Além de derrotada na Primeira Guerra Mundial e obrigada a aceitar um tratado que não só a humilhava internacionalmente como também lhe dava um enorme ônus econômico, a sociedade alemã foi uma das que mais sofreu as consequências da Grande Depressão dos anos 1930, causada pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Esse cenário foi propício a um partido político com um líder com capacidade de inflamar as multidões com seus discursos e propostas que apelavam a um ódio ancestral, ao patriotismo e prometiam transformar a Alemanha no que foram Grécia e Roma na Antiguidade.

A ascensão nazista ao poder começou na década de 1920. Fundado em 1919, e sob liderança de um ex-cabo do exército alemão chamado Adolf Hitler desde o ano seguinte a sua fundação, o Partido Nacional-Socialista da Alemanha alcançou o poder central em 1933 aproveitando-se das liberdades políticas e da democracia da então República de Weimar (nome dado ao governo alemão entre 1919 e 1933, por governar sobre os princípios democráticos da constituição de 1919, elaborada na cidade de Weimar). Mas não foi só a democracia que facilitou a ascensão  nazista. A precária situação econômica e social da Alemanha contribuiu muito para isso.

Em 1923, Hitler liderou uma revolta em Munique contra a república, aproveitando-se do descontentamento popular com a hiperinflação. O movimento foi sufocado e ele acabou preso. Nos oito meses em que permaneceu na cadeia escreveu "Minha Luta", que se tornaria o livro de cabeceira dos nazistas. Após esse episódio, o nazismo permaneceu na obscuridade. Uma nova oportunidade para tentar emplacar suas ideias demagógicas, racistas e ufanistas surgiu no período logo após a quebra da Bolsa de Nova York de 1929.

A deterioração econômica e social da Alemanha se agravou profundamente e o partido começou a eleger cada vez mais deputados. Além da população desesperada, as Forças Armadas e os empresários também viam em Hitler uma solução contra a ameaça comunista e uma forma de recuperar a autoestima alemã. Além disso, os nazistas formaram suas próprias tropas de proteção, forças paramilitares conhecidas como "SS". O caminho para que o Partido Nazista chegasse ao poder na Alemanha estava pavimentado. Na próxima página, saiba como o nazismo impôs seu regime totalitário e conheça quais foram as graves consequências disso para o mundo.