Introdução sobre o Muro de Berlim
Na noite de 9 de novembro de 1989, o porta-voz do governo da então Alemanha Oriental anunciou que novas medidas seriam adotadas para facilitar a travessia dos habitantes do país pelo Muro de Berlim. A passagem dos berlinenses orientais para o lado ocidental da cidade seria permitida “sem mais atrasos”. O que ele provavelmente não esperava era que suas palavras fossem interpretadas tão ao pé da letra. Milhares de pessoas imediatamente dirigiram-se para os postos de controle com o passaporte nas mãos decididas a cruzar o Muro em direção ao Ocidente. O sistema de segurança alemão oriental entrou em colapso e em poucas horas uma multidão entusiasmada não só estava cruzando livremente a “fronteira” como também iniciou a derrubada de um dos mais famosos símbolos da
Guerra Fria.
 © istockphoto.com / Alexander Hafemann Vista do lado ocidental do Muro de Berlim em 1988
|
O mundo ficou surpreso com o que aconteceu naquela noite. Até então, as pessoas tinham se acostumado a conviver com a divisão do planeta em dois lados. Em um deles estavam os países “capitalistas”, com sua
democracia liberal, sob a influência geopolítica dos Estados Unidos, do outro, aqueles países de economia socialista, com regimes totalitários, sob a influência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Entre eles um muro que, além de separar fisicamente a população da cidade de Berlim (Alemanha), representava também a divisão simbólica do mundo nas duas grandes ideologias que dominaram o planeta no decorrer do século 20. Mas, naquela noite o Muro de Berlim veio abaixo.
 © istockphoto.com / BamBamImages Trechos que restaram do Muro de Berlim viraram suporte para grafite
|
O muro havia sido erguido praticamente em uma madrugada, entre 12 e 13 de agosto de 1961, pelas forças de segurança da então Alemanha Oriental, para impedir a livre circulação dos habitantes do lado socialista para o capitalista da cidade. Pouco mais de 28 anos depois, ele foi derrubado graças a um movimento surpreendente da população berlinense. O colapso do Muro simbolizava também o colapso dos regimes socialistas da Europa Oriental. Há pelo menos quatro anos, desde a ascensão de Mikhail Gorbatchev à liderança da União Soviética, os sinais de abertura dos regimes totalitários do leste europeu mostravam também a fragilidade econômica e política dos países comunistas da região. A não reação das forças de segurança, até então absolutamente repressivas, à derrubada do Muro por uma população entusiasmada era um dos sinais de esgotamento do regime.
Os berlinenses orientais foram recebidos pelos cidadãos do lado ocidental com champanhe em uma confraternização histórica. Muitos analistas políticos viram no fato o símbolo da vitória do capitalismo sobre o comunismo, sendo a queda do Muro uma metáfora usada até hoje com esse sentido. O mundo após o fim do Muro de Berlim assistiu à desintegração dos regimes comunistas da Europa Oriental, à reunificação da Alemanha e à hegemonia dos Estados Unidos como única superpotência econômica e militar. Na próxima página descubra os motivos da construção do Muro de Berlim e qual foi seu significado durante a Guerra Fria.
20 anos
Representantes de vários países participam das cerimônias que marcam os 20 anos da queda do muro de Berlim, símbolo máximo da guerra fria. Leia mais em VEJA.com
 |