Mulheres e emoções

Autor: 
Tracy V. Wilson

Uma pesquisa realizada em 2001 perguntou a adultos americanos se uma série de qualidades se aplicava mais a homens do que a mulheres. Noventa por cento disseram que a característica "emocional" se aplica mais a mulheres. A pesquisa não perguntou a respeito de emoções específicas ou conotações positivas ou negativas para a palavra "emoção". Mas parece provável, a partir dos resultados, que a maioria dos americanos vê mulheres como capazes de experimentar ou com tendência a experimentar uma série mais ampla e intensa de emoções do que os homens.

Confuso de propósito?
Um estereótipo comum é que mulheres transmitem sinais ambíguos, especialmente quando se trata de envolvimento romântico. Um estudo da University of Texas, em Austin, sugere que os sexos não se entendem e que há forças evolutivas envolvidas. A confusão pode vir de épocas antigas, quando homens tentavam ter mais descendentes, enquanto as mulheres tentavam se proteger da decepção [Fonte: Psychology Today - em inglês].

Mulheres são mais emotivas que homens? Elas choram mais?
A percepção de que mulheres choram mais do que homens é bastante difundida, mas bebês e crianças, meninos e meninas choram a mesma coisa. Somente durante a puberdade as garotas começam a chorar mais do que os garotos. Segundo um artigo do New York Times de 2005, aos 18 anos mulheres choram quatro vezes mais do que os homens.

Uma possível explicação para isso é o hormônio prolactina, que interfere no quanto uma pessoa chora. A prolactina está presente no sangue e nas lágrimas, e prevalece nas mulheres. Os canais lacrimais das mulheres têm formato diferente dos canais dos homens, o que pode ser causa ou efeito de mais choro. Além disso, pessoas depressivas podem chorar quatro vezes mais que pessoas normais, e dois terços dos diagnósticos de depressão são em mulheres [Psychology Today - em inglês]. Ainda assim, discute-se muito se a mulher é mais deprimida que o homem, mas essa é uma dúvida que ainda não foi resolvida.

É lógico que uma outra explicação comum é que algumas sociedades encorajam as mulheres a chorar, enquanto desencorajam os homens. Nos Estados Unidos, o mundo dos negócios é uma exceção. Em algumas áreas, chorar não é bom: uma mulher que chora no escritório pode ser vista como fraca e ineficaz.

Mulheres são mais estressadas do que homens?
Às vezes as mulheres são vistas como superpreocupadas. Segundo pesquisa realizada em 2005 pelo instituto Gallup, mulheres são mais preocupadas do que homens a respeito de uma série de questões sociais. Mulheres em número significativamente maior que homens responderam que se preocupam "muito" a respeito de 7 dos 12 pontos da pesquisa.

Estudos mostram que, além de se preocupar mais, mulheres podem ter mais tendência a passar por estresse. Por exemplo, a amígdala do cérebro processa emoções como medo e ansiedade. Nos homens, a amígdala se comunica com órgãos que recebem e processam informações visuais, como o córtex visual. Porém, nas mulheres, ela se comunica com partes do cérebro que regulam hormônios e digestão. Isso pode significar que as respostas ao estresse podem causar mais sintomas físicos em mulheres do que em homens [Fonte: Live Science - em inglês].

Cérebro com a amígdala destacada

Além disso, o corpo da mulher produz mais hormônios de estresse do que o do homem. Uma vez que uma situação estressante acaba, o corpo da mulher também leva mais tempo para parar de produzir o hormônio. Essa pode ser a causa para a tendência das mulheres de repensar nas preocupações e em situações estressantes [Fonte: Psychology Today - em inglês].

Mulheres são mais ciumentas que homens?
Na mente de algumas pessoas, mulheres são mais ciumentas e possessivas, principalmente em relações amorosas. Mas pesquisas mostram que mulheres não são mais ciumentas que homens, apenas são ciumentas em diferentes situações.

Em um estudo alemão, pesquisadores mostraram imagens de participantes em diferentes cenários. Os participantes usaram um computador para descrever quais cenários eram mais perturbadores. Os resultados sugeriram que, em diversas culturas, as mulheres se importam mais com a infidelidade emocional do que com a sexual. As respostas masculinas variaram em diversas culturas, mas no geral eles são mais ciumentos em relação à infidelidade sexual [Fonte: Human Nature - em inglês].

Por outro lado, um estudo da Universidade da Califórnia, em San Diego, mediu a pressão arterial e os batimentos cardíacos dos participantes, em vez de pedir que respondessem perguntas. Homens tiveram maiores reações físicas para a infidelidade sexual, enquanto mulheres reagiram com a mesma intensidade em ambos os cenários. Mulheres que estavam em relacionamentos estáveis ficaram mais aborrecidas com a infidelidade física do que as que não estavam. Porém, 80% das mulheres nos estudos acham que infidelidade emocional é mais grave do que a sexual [Fonte: Psychology Today - em inglês].

A seguir, vamos dar uma olhada em como as mulheres aprendem e se comunicam.

 

Trabalhando e deixando o trabalho
Com mais mulheres entrando no mercado de trabalho nos anos 80, um estereótipo comum era que mulheres não conseguiam manter um emprego. Um estudo mostra que esse estereótipo é, pelo menos em algum aspecto, correto: mulheres tendem a mudar mais de emprego do que homens. No entanto, pesquisadores especulam que isso ocorra porque elas recebem trabalhos menos satisfatórios.