Voltando atrás para observar a investigação da ciência na mente humana durante os últimos dois séculos, é difícil não ver a frenologia, uma das grandes falhas da ciência. Frenologia é o estudo da forma do crânio, assim como das saliências e das depressões no escalpo. Os frenologistas clamavam que, por meio da análise destes sinais reveladores, a inteligência, educação e moralidade de uma pessoa poderiam ser distinguidas. Embora tivesse a aprovação internacional, a frenologia foi, totalmente desacreditada.
Alguns se perguntam se o uso de ressonâncias magnéticas para leitura da mente é a nova fronteira desta ciência antiga e desacreditada. A frenologia era utilizada para desvalorizar grupos inteiros de pessoas, como alguns temem que o mapeamento da mente por meio de ressonâncias magnéticas também o possa ser.
Há, aparentemente, maneiras ilimitadas de como a ressonância magnética poderia ser utilizada para beneficiar a humanidade. As ressonâncias magnéticas poderiam acabar por ser um modo de ler, de maneira eficaz, os pensamentos de uma pessoa antes mesmo de elas falarem. A tecnologia poderia permitir a imposição da lei para ver se alguém está mentindo ou falando a verdade. As ressonâncias magnéticas poderiam frustrar os planos do próximo terrorista ou capturar o Assassino de Green River (este assassino em série subverteu um teste de polígrafo e foi liberado).
![]() Josh Trujillo-Pool/Getty Images Gary Ridgway, o Assassino de Green River, passou pelo polígrafo, o qual ele enganou. Deixaram-no livre e, por fim, matou 48 mulheres antes que fosse, finalmente, processado |
Em sua aplicação na prática, uma ressonância magnética poderia fazer a varredura de passageiros em aeroportos antes que entrassem em um avião. Qualquer pessoa que apresentasse pensamentos associados a seqüestro de avião ou assassinato em massa poderia ser detida antes que cometesse tal ato. Espiões poderiam ser desmascarados de seu serviço clandestino e predadores sexuais poderiam ser identificados antes mesmo que pudessem clamar pela primeira vítima.
Entretanto, muitos dos cientistas que conduziram a pesquisa dizem que este campo é jovem demais para que seja atualmente utilizado para quaisquer uma destas aplicações. Os resultados ainda são muito nebulosos. Embora neurologistas identificaram algumas partes do cérebro que estariam associadas com certas decisões, eles ainda estão inseguros sobre exatamente por que estes processos acontecem. É como olhar para uma nuvem escura e observar a chuva cair dela, sem compreender nada sobre o processo que criar a chuva.
Há outros problemas que são mais fáceis de serem vencidos com o uso da ressonância magnética como uma janela para dentro da mente. As ressonâncias magnéticas são imensas máquinas pesadas, o que as torna difíceis de serem transportadas. E, para que uma varredura por ressonância magnética seja feita com sucesso, o sujeito deve permanecer deitado, sem se mexer, até que a varredura esteja completa. Até mesmo um movimento sutil como um leve mexer na sobrancelha poderia produzir uma varredura inútil.
Entretanto, mesmo que a tecnologia avance, tornando as máquinas de ressonância magnética portáteis e que consigam, com precisão, fazer uma varredura com uma pessoa em movimento (e, possivelmente, sem esta saber), deveríamos utilizá-la para esta aplicação?
Eis o que está sendo apresentado pelo Center for Cognitive Liberty and Ethics (Centro para Liberdade Cognitiva e Ética), um órgão de pesquisa que pondera sobre o direito de privacidade para os pensamentos dos indivíduos. O problema com a leitura dos pensamentos de uma pessoa, diz o CCLE, é que uma tecnologia como esta poderia facilmente levar a varreduras de todos nós para a identificação de futuros criminosos em potencial.
De acordo com a justiça no mundo ocidental, as pessoas são condenadas por crimes que cometeram em vez de o serem por crimes que poderiam cometer em algum lugar no futuro. Se as ressonâncias magnéticas fossem utilizadas para a varredura de mentes de modo a determinar a propensão em relação ao crime, isso mudaria? Poderia um futuro criminoso se encontrar preso ou isolado da sociedade antes que cometesse um crime?
Por fim, a pergunta é: o que é mais valioso para a sociedade, a liberdade ou a segurança pessoal? Esta pergunta tem aplicações reais no mundo atual, mas se a tecnologia de leitura de mentes continuar a avançar, uma nova pergunta pode surgir: temos algum direito à privacidade em relação a nossos pensamentos?