Uma ressonância magnética utiliza uma banda magnética como um escaner para examinar através do tecido e do osso para ver dentro do corpo humano. Entretanto, para utilizar uma ressonância magnética como um detector de mentiras, deve ser utilizada uma MRI - ressonância magnética funcional. Ressonâncias Magnéticas Funcionais estão conectadas a softwares especializados capazes de não apenas exibir, mas também analisar as imagens que a ressonância magnética produz.
Nestas figuras, diferentes partes do corpo são mostradas em destaque em diferentes cores. Quanto mais ativo o sistema, mais clara a área. Para uso em tomografias do cérebro, a ressonância magnética funcional analisa o fluxo do sangue em regiões específicas do cérebro. Os neurônios no cérebro precisam de sangue para fazer suas operações e uma repentina demanda por sangue sugere a ativação de uma região.
![]() Foto cedida pelo National Library of Medicine (Biblioteca Nacional de Medicina) Uma imagem de ressonância magnética de uma amígdala demasiadamente ativa, uma região que controla as emoções |
Imagine estar em uma máquina de ressonância magnética enquanto estiver andando de bicicleta. Se você decidir virar à esquerda, a imagem da ressonância magnética poderia, concebivelmente, mostrar as diferentes regiões do cérebro que estão envolvidas no processo de virar à esquerda. Uma parte diz a seu sistema musculoesquelético alternar seu equilíbrio, uma outra região diz aos seus olhos para que olhem para os dois lados para ver o tráfego chegando e uma outra ainda mantém o movimento produzido por suas pernas.
Pelo estudo dessas imagens, os pesquisadores poderiam mapear o procedimento sistemático pelo qual passa seu cérebro para produzir a virada para a esquerda. Além do mais, os neurologistas estão agora descobrindo que podem ver o processo pelo qual você tomou a decisão de virar à esquerda, em vez de virar à direita ou continuar em linha reta.
É através da análise destas regiões e do conhecimento de qual função é responsável pela atividade para cada uma das regiões, que se chegou à possibilidade da ressonância magnética predizer se alguém está dizendo a verdade.
A idéia para o uso das ressonâncias magnéticas como detectores de mentiras veio de alguma pesquisa muito inocente. Para investigar se as crianças diagnosticadas com Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) eram incapazes de contar mentiras, o psiquiatra da Universidade da Pensilvânia Daniel Langleben conduziu varreduras de ressonâncias magnéticas em pacientes jovens com o transtorno. Langleben descobriu que a mentira ativa regiões no córtex pré-frontal. Esses foram, talvez, os primeiros instantâneos já tirados de mentiras.
As descobertas de Langleben foram apoiadas por outros pesquisadores. Na Universidade de Temple, Scott Faro conduziu um estudo onde pediu que alguns voluntários mentissem e outros contassem a verdade, enquanto estavam sendo submetidos a uma ressonância magnética. Ele descobriu que mais regiões do cérebro - incluindo aquelas regiões pré-frontais identificadas por Langleben - são utilizadas durante a mentira do que quando se fala a verdade.
E, no Instituto Max Planck, na Alemanha, John-Dylan Haynes conduziu um experimento no qual ele pedia aos estudantes que decidissem se adicionariam ou subtrairiam dois números antes que os vissem. Colocou os resultados de cerca de 250 testes conduzidos para cada estudante em um algoritmo de computador, o qual procurou, em seguida, padrões nas imagens. Depois de excluir os testes de amostra, o computador foi, precisamente, capaz de predizer se um aluno adicionaria ou subtrairia - com base somente nas imagens do cérebro do estudante - em 71% do tempo.
Os resultados destes experimentos mostram que muito do que entendemos como nosso processo de tomada de decisões - incluindo a decisão de mentir - ocorre na parte frontal de nossos cérebros. Além do mais, podemos agora ver esses processos. De fato, através das ressonâncias magnéticas, chegamos ao ponto em que podemos ler a mente de uma pessoa.
O campo de uso das ressonâncias magnéticas como detectores de mentiras ainda está em sua fase inicial. Entretanto, com o grande foco sendo dado à pesquisa - como o desembolso de fundos - há pouca dúvida de que esta avançará rapidamente nas décadas que estão por vir. A pergunta é: deveríamos fazer uso desta tecnologia? Leia a próxima página para explorar os prós e os contras da leitura das mentes das pessoas.