"… o indivíduo é desprovido de toda a liberdade inútil e possivelmente prejudicial, mas mantém o que é essencial; o poder determinante nesta questão não pode ser o indivíduo, mas unicamente o Estado…"
Embora o Estado fascista seja o centro do universo, o objetivo principal do fascismo é a recuperação social, ou o aprimoramento de um grupo específico de pessoas. A recuperação é alcançada por meio da união nacional e da rejeição do individualismo. Esse tipo de sociedade exige o apoio inicial das pessoas. Um regime fascista geralmente conquista esse apoio promovendo uma série de idéias através da mídia, de comícios e de outras formas de propaganda.
O fascismo surge de condições socio-econômicas ruins, como as das pós-Primeira Guerra Mundial na Europa e pós-Segunda Guerra Mundial no Japão. Os países derrotados na Primeira Guerra Mundial (em inglês) sofreram muito com as restrições impostas a eles depois da guerra. Na Alemanha (em inglês), a população geral (a classe trabalhadora) sofreu. Uma forma fascista de governo prometeu que as pessoas voltariam a ter uma vida melhor e uma posição mais vantajosa no mundo. A raça germânica simplesmente precisava retomar o seu lugar legítimo de superioridade.

Mas aqui está a contradição: embora a raça seja superior, os membros dessa raça não significam nada. No fascismo, os indivíduos existem apenas em relação ao Estado. Os princípios da democracia e do capitalismo, que surgiram do iluminismo (em inglês) europeu do século 18, atrapalharam o poder do Estado. Em termos fascistas, essas tendências baseadas em conceitos de individualidade, igualdade e interesse próprio limitavam a unidade e a busca por sobrevivência necessárias para a renovação social. Mussolini escreveu em 1932, "O Fascismo nega […] a verdade convencional absurda de igualdade política […] o mito de 'felicidade' e o progresso indefinido" [fonte: Fordham (em inglês)].
Dissipando o mito de felicidade como um absurdo, a sociedade fascista é capaz de restringir as pessoas e convencê-las a se submeter em nome do bem maior. As pessoas não podem se reunir sem permissão e também não podem dizer nada negativo contra o Estado. Em vez disso, elas são mergulhadas em um senso extremo de união nacional e étnica. Grupos políticos recrutam os membros mais jovens da sociedade, os ensinam sobre o Estado e os encarregam da sobrevivência e do poder desse Estado. O fascismo glorifica a juventude, o que faz sentido se o ideal de sobrevivência dos mais aptos for levado em consideração - já que os jovens são os mais fortes e aptos.
Comícios e desfiles patrocinados pelo Estado dominam a vida social, bandeiras nacionais e monumentos imponentes são colocados na área, e os feriados do Estado preenchem o calendário. Esses símbolos e comemorações têm uma natureza religiosa. Eles encorajam a fé absoluta, mas fé no Estado e não em Deus. O fascismo em geral é contra qualquer religião, a não ser o nacionalismo.
Mas é claro, nem todas as sociedades têm os mesmos objetivos. Qual a diferença do Fascismo de Mussolini em relação ao de Hitler? Como o fascismo evoluiu com o tempo e com as constantes transformações do mundo? Descubra na próxima seção.