Quem vai estudar no exterior e pretende morar em uma residência universitária precisa começar o processo de escolha da moradia logo após ser aceito na universidade. As informações sobre as opções disponíveis podem ser obtidas nas secretarias das instituições, mas também há entidades que ajudam o estudante na escolha da residência. Na França, por exemplo, há o Crous (Centro Regional de Obras Universitárias e Escolares), que participa da administração de cerca de 500 residências. Ao contrário do que acontece nas universidades públicas do Brasil, o serviço é pago, e os estudantes, logo na chegada, devem depositar o valor da taxa de inscrição e uma caução, que normalmente equivale à tarifa mensal do alojamento. Em fevereiro de 2008, o valor da caução era de 110 euros.
O valor é restituído integralmente na saída do estudante, desde que o imóvel esteja em perfeitas condições. Também ao contrário das residências universitárias brasileiras, na França o mais comum é o aluguel de quartos, quase todos pequenos, mas funcionais. Apenas como exemplo, a Casa do Brasil dispõe de 78 quartos individuais e 22 apartamentos (quarto e sala), todos mobiliados e equipados. Os apartamentos possuem telefone privativo, conexão com a Internet, duchas e lavabo, além de geladeira. Alguns quartos têm banheiro privativo. Nestes espaços, o lixo é retirado diariamente e o serviço de limpeza é feito uma vez por semana – tudo incluído no preço da moradia.
Nem sempre os serviços são tão baratos. Mesmo em países como Portugal e Espanha, que apresentam custo de vida mais baixos do que em outros países da Europa, os custos de uma residência universitária em universidades particulares podem chegar a 500 euros. A vantagem nesses casos é a qualidade do serviço prestado ao estudante, com ambientes limpos, em bom estado de conservação e funcionamento e confortáveis.
Especialmente na Europa, Estados Unidos e Canadá, as residências universitárias proporcionam um ambiente bastante propício à dedicação aos estudos. Muitos pais e alunos optam pelas residências porque, normalmente, os estudantes que vivem nelas conseguem se dedicar mais aos estudos do que aqueles que dividem apartamentos com amigos fora dos campi universitários. No exterior, também é comum estudantes ficarem em “home Stay” (casa de família que aluga quartos e oferece refeições a estudantes matriculados em cursos universitários ou de idiomas). As “home stay” são bastante populares nos EUA e Canadá, mas residir nos campi apresenta mais comodidade para quem quer mergulhar nos livros.
A opção por residências universitárias apresenta desvantagens para quem busca divertimento noturno, mas é muito prático para quem quer se dedicar aos estudos. Normalmente, as residências universitárias que ficam dentro dos campi não são atendidas por linhas de transporte público até tarde da noite. Também não costumam estar em ruas muito iluminadas. Em compensação, o estudante tem fácil acesso às faculdades e bibliotecas e contam com silêncio para estudar à noite e aos finais de semana.
Nos Estados Unidos, onde até mesmo o ensino superior público é pago, as residências universitárias custam caro e também são disputadas por alunos de outros Estados e países. Universidades como Harvard e MIT (Massachussetts Institute of Technology), no Massachusetts, Stanford e UCLA, na Califórnia, cobram, em média, US$ 700 mensais por um quarto em uma das residências do campus. Normalmente equipados com cama, escrivaninha para estudos, armário para roupas, mesa e cadeira para pequenas refeições, esses quartos costumam integrar blocos de apartamentos, que funcionam como flat. Têm cozinha, sala de refeições e lavanderia coletivas. A área social costuma ter equipamentos de TV, vídeo, computador, sofás e poltronas confortáveis.
As universidades estrangeiras costumam oferecer opção de residências maiores e menores, em casas e em apartamentos. Obviamente, quanto maior o espaço, mais cara a mensalidade. Normalmente, cada complexo residencial, seja de apartamentos, seja de casas, tem um professor ou funcionário da universidade morando no local gratuitamente e, em troca, fica responsável pela supervisão dos estudantes e dos imóveis. Qualquer problema deve ser relatado e resolvido por esta pessoa.
Na maioria dos casos, as residências universitárias são preferidas pelos calouros, seja por imposição dos pais, seja pela comodidade que oferecem a quem ainda não se sente confiante para morar sozinho. É comum estudantes começarem seus cursos de graduação vivendo em residências dentro do campus e depois mudarem para uma república após alguns semestres. De qualquer modo, sempre há estudantes que preferem ficar nas residências até o fim do curso. Muitos se tornam amigos de outros residentes e passam a viver como família. Nos EUA, por exemplo, é comum passar diante das residências universitárias e ver grupos de adolescentes estudando, fazendo piqueniques, ouvindo música e tomando sol juntos.