Introdução

Cristóvão Colombo costuma receber os louros pela descoberta da América, em 1492, mas os indícios apontam pesadamente contra a possibilidade de que ele tenha sido a primeira pessoa a descobrir o Novo Mundo. Caso Colombo tivesse de fato descoberto a América, teria encontrado um terreno despovoado, e evidentemente não foi isso que aconteceu. Antropólogos e arqueólogos estimam que entre 40 milhões e 100 milhões de indígenas americanos vivessem no continente quando Colombo chegou, e eles respondiam por até um quinto da população da Terra na época [fonte: Mann (em inglês)]. Além disso, há quem acredite que os chineses antecederam Colombo por 80 anos.

Explorer Tim Severin and his wife Dorothy beside a model of a sixth-century Irish curragh
Keystone/Hulton Archive/Getty Images
O explorador Tim Severin e sua mulher Dorothy, ao lado do modelo da espécie de barco que um monge irlandês do século 6 pode ter usado para velejar para a América

Embora Colombo possa ter sido o primeiro europeu (em inglês) a chegar à América Central (em inglês), foi Giovanni Caboto que primeiro chegou à América do Norte (em inglês), atingindo a costa do Labrador, no atual Canadá (em inglês), em 1497. Por isso sabemos, agora, que Caboto foi o primeiro europeu a chegar à América do Norte. Certo? Errado, outra vez.

Caboto foi precedido em 500 anos pelos viquigues em sua jornada à América do Norte. Existem provas definitivas de assentamentos dos povos nórdicos na Terra Nova (em inglês), perto do Labrador, em L’Anse aux Meadows, uma colônia vinquingue que data de por volta do ano 1000. Os viquingues foram o primeiro grupo a deixar provas tangíveis de sua presença. Mas isso faz deles os primeiros dirigentes? Não exatamente. Outro grupo pode responder pela primeira presença européia na América do Norte: os irlandeses (em inglês).

No século 6, São Brendan, um monge irlandês que ganhou reputação como navegador de grande competência, ao que parece teria empreendido uma ambiciosa viagem. Brendan, com uma tripulação formada por outros monges, saiu pelo mar em busca do Paraíso, a Terra Prometida pelos Santos. Depois de sete anos explorando terras misteriosas, ele chegou ao que acreditava ser o misterioso paraíso. Era uma ilha tão vasta que ele e sua tripulação não conseguiram atingir a costa oposta depois de 40 dias de caminhada. A ilha continha um rio largo demais para ser cruzado. Era uma terra arborizada, repleta de frutas suculentas. Ele e seus homens lotaram o barco com gemas localizadas na ilha e voltaram à sua terra para informar o povo sobre sua descoberta.

Foi apenas no século 9 que um relato da viagem de Brendan foi descoberto, o Navigatio Sancti Brendani ("jornadas de São Brendan", em latim). O relato fala sobre as experiências de Brendan, entre as quais ser atingido por rochas arremessadas de uma ilha em chamas, avistar um pilar de cristal e encontrar uma ilha móvel, antes de enfim chegar à terra prometida, que veio a ser conhecida como Ilhas Afortunadas.

Mas com a passagem do tempo o livro - bem como São Brendan - se tornaram lendas. Caso Brendan tenha de fato existido - algo que a maioria dos estudiosos aceita -, ele certamente não teria conseguido cruzar o traiçoeiro Atlântico Norte com a tecnologia disponível na época. Ele certamente não teria derrotado os viquingues na corrida por chegar à América do Norte.

Ironicamente, é o folclore dos viquingues que sustenta a idéia de que Brendan foi o primeiro europeu a chegar à América do Norte. Leia a próxima página e descubra indícios que confirmam e negam a idéia.