Como funciona o metrô de São Paulo

Autor: 
Soraya Misleh
metrô de São Paulo

Limpo, confortável, com boa manutenção e segurança (1,5 ocorrência criminal registrada por milhão de usuários). Ao mesmo tempo, pequeno em quilometragem, lotado nas horas do rush, o metrô de São Paulo é relativamente novo e carece de expansão para aliviar o trânsito cada vez mais pesado da cidade de São Paulo. Apenas como comparação, São Paulo tem 61,3km de vias e 55 estações (números de julho de 2008) enquanto Londres tem 408 km de trilhos e 275 estações. O sistema londrino é o mais extenso e antigo do mundo – sua origem data de 1863. Mas mesmo entre os metrôs de idade semelhante ao de São Paulo, a capital paulista perde. Na Cidade do México, o metrô, iniciado na mesma época, tem quase três vezes mais quilômetros.

A história do metrô de São Paulo tem início no meio do século passado. O Metrô-SP (Companhia do Metropolitano de São Paulo) foi fundado em 24 de abril de 1968, na gestão do prefeito Brigadeiro Faria Lima, aliás nome de uma das avenidas mais congestionadas da cidade. Atualmente a empresa é vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos e não mais à prefeitura.

Garagem de trens Jabaquara
Divulgação: Metrô SP
Garagem de trens na estação Jabaquara do Metrô de São Paulo

O percurso escolhido como pioneiro foi entre Santana e Jabaquara, cortando a área central da cidade. A decisão levou em conta a necessidade de descongestionar o já intenso tráfego de veículos e fazer frente à demanda por transporte coletivo ferroviário. Definido o traçado, as obras para construção da primeira linha – Norte-Sul, atual Linha 1-Azul – tiveram início no dia 14 de dezembro de 1968. Os primeiros trens, ou metrocarros, foram montados em 1972 e a viagem de teste foi feita no mesmo ano pelo então presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici, partindo do pátio Jabaquara rumo à estação Jabaquara. Mas demorou ainda praticamente mais dois anos para que o metrô começasse a operar comercialmente, em 14 de setembro de 1974, entre Jabaquara e Vila Mariana. Doze dias após, a operação passou a ser feita em toda a extensão Norte-Sul, que contava então 16,7km e 20 estações.

Metrô de São Paulo
Divulgação: Metrô SP
Plataforma da linha Vermelha
(antiga Leste-Oeste) do metrô de São Paulo

­O próximo passo foi tirar do papel a Linha Leste – atual 3-Vermelha – cujo projeto inaugural foi reformulado. No princípio, a idéia era que se estendesse por 7km, entre Casa Verde e Vila Maria, e fosse integralmente subterrânea. Para aproveitar a via férrea da antiga Rede Ferroviária Federal, mudaram-se os planos: incluiria, em extensão cerca de três vezes maior, trechos de superfície, entre Palmeiras-Barra Funda e Corinthians-Itaquera e faria conexão com trens de subúrbio. O primeiro trecho – ligando Praça da Sé e Brás – foi inaugurado em 1979. Até a conclusão total dessa linha, passaram-se nove anos.

Nos anos 80, começava ainda a ser gestada a Linha 2-Verde, cujo projeto original datava de 1973 e também veio a ser alterado. O trecho paulista foi o primeiro a ser entregue, em 25 de janeiro de 1991, aproveitando-se o aniversário da cidade. A última estação a ser inaugurada foi Alto do Ipiranga, no ano passado. Com isso, a Linha 2 passou a contar com 11 estações, em 10,7km de extensão. Já a Linha 5-Lilás, no trecho entre Capão Redondo e Largo Treze, cujas obras tiveram início em 1998, entrou em operação em outubro de 2002.

Neste artigo, vamos conhecer as tecnologias utilizadas, detalhes sobre o sistema, os projetos de ampliação, investimentos previstos e ainda um pouco sobre os outros metrôs brasileiros.