A Mesopotâmia realmente é o berço da civilização?

Autor: 
Joshua Clark

Com um estilo de vida sedentário e com base na agricultura, as práticas espirituais, que antes eram espalhadas, tornaram-se mais centralizadas e refinadas, resultando na religião. As pessoas construíram grandes templos e uma classe dominadora eclesiástica ocupou seu lugar no topo da estrutura de poder. Afinal, essas eram as pessoas que sabiam das intenções de deuses como Enlil (do vento) e Utu (do sol).

A religião também criou códigos morais de conduta, que geraram as leis formais. Conceitos legais, como restituição, retaliação e punição por acusações falsas eram simplificados.

A liberdade de não precisar sair à procura de alimentos também permitiu que as sociedades agrícolas se envolvessem em outras buscas, com recompensas mais difíceis de alcançar. A principal delas era a ciência. Acredita-se que os babilônicos tenham sido a primeira civilização a documentar o tempo. Eles criaram os minutos e os segundos, além de produzir um calendário. Esse avanço criou a base para a astronomia e a matemática [Britannica (em inglês)].

Porém, a civilização mesopotâmica também é considerada a responsável por inovações negativas, como expansionismo, impérios, escravidão e guerra. Em 2.300 a.C., as cidades independentes da Suméria foram reunidas sob o poder de um único soberano. A cidade capital, Ur, foi invadida e ocupada por um outro grupo mesopotâmico, os elamitas, apenas algumas centenas de anos mais tarde. E as epidemias e pestes começaram a aparecer,
já que com tantas pessoas vivendo juntas em uma área pequena, elas podiam
ser transmitidas facilmente de uma pessoa para a outra. Antes das cidades e da agricultura, as epidemias
não podiam atingir pessoas, que viviam à procura de alimentos e moravam espalhadas e
longe umas das outras.

War in Mesopotamia
Hulton Archive/Getty Images
A civilização também gerou a guerra, como é mostrado neste entalhe de uma invasão assíria do século 7 a.C.

Por todas as contribuições positivas e negativas da civilização mesopotâmica, alguns arqueologistas acreditam que existam outros grupos na disputa pelo título de berço da civilização.

Gonur-depe - uma cidade grande com cerca de 2.590 km2 e localizada no atual Turcomenistão, renasceu de um passado esquecido. Essas pessoas cultivaram alimentos, construíram canais de irrigação e palácios e acredita-se que tenham comercializado com pessoas que moravam até no Egito [fonte: Eurasianet (em inglês)].

Catal Huyuk - no sul da Turquia, é outra cidade que alguns arqueologistas acreditam que pode ter sido a real origem da civilização. A cidade foi o lar para cerca de 10 mil pessoas que criavam animais e cultivavam alimentos há cerca de 7 mil anos a.C. Elas também construíram santuários para cultos e fizeram arte [fonte: Stockton (em inglês)]. Porém, não há evidência de hierarquia ou de estratificação social, que infelizmente são necessárias para que uma civilização exista.

Se simplesmente viver em uma cidade é o único critério para a civilização, então outros grupos podem superar os mesopotâmicos. Porém, a civilização é mais do que construir cidades e, até que mais evidências sejam descobertas, a Suméria, a Assíria, a Babilônia e outras cidades da Mesopotâmia continuarão sendo os grupos que geraram a vida civilizada.

É difícil dizer se a civilização se desenvolveria sem o trabalho dos mesopotâmicos e de grupos antigos. Será que nós, como humanos, temos um desejo natural de vivermos juntos em grandes grupos? É interessante notar que as pessoas parecem ter sentido a mesma vontade de se agrupar em cidades por volta da mesma época e em lugares diferentes. Porém, o que significa o fato de que durante os primeiros milhões de anos da existência humana, as pessoas viviam apenas em pequenos grupos errantes? Será que a civilização é um processo natural da evolução humana? Em caso afirmativo, qual será o próximo passo?

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