Para entender por que a Mesopotâmia é considerada o berço da civilização, é importante entender exatamente o que é uma civilização. Isso é mais difícil do que se imagina. Os estudiosos ainda debatem exatamente o que precisa estar presente em uma cultura para que ela seja considerada uma civilização.
Geralmente, um grupo de pessoas que vive junto em um único lugar e têm estruturas sociais, políticas, econômicas e religiosas é considerado uma civilização. O local geralmente é uma cidade e as pessoas que moram nele usam a tecnologia para realizar as atividades econômicas. Os frutos desse trabalho são divididos entre a população por uma classe dominante, que pode ser religiosa, política, ou ambas. A divisão dos bens não é necessariamente igual, o que resulta em classes sociais: altas, baixas e médias.
Então, a civilização é a organização dos sistemas que as pessoas usam para interagir umas com as outras, tanto para o benefício de todas, como com a proteção de um exército organizado, ou em detrimento das pessoas, quando alguns são capazes de explorar o trabalho de massas para conseguir mais poder. "Se a cultura é comportamento, a civilização é estrutura", explica o estudioso Matthias Tomczak.
Por definição, a Mesopotâmia realmente era uma civilização de verdade. A partir de cerca de 4 mil anos a.C., as cidades começaram a aparecer entre os rios Tigre e Eufrates. A agricultura atraiu (em inglês) as primeiras pessoas para as margens dos rios da Mesopotâmia. Porém, quando elas descobriram como redirecionar a água por meio de canais, conseguiram irrigar campos distantes. Com um fornecimento de comida capaz de sustentar um grande número de pessoas, as cidades começaram a se desenvolver.
![]() iStockphoto Os mesopotâmicos davam muita importância para a religião. Esta escultura, na verdade, é um prego usado em um dos maiores templos na Mesopotâmia. |
Podemos imaginar que esses habitantes antigos das cidades eram visionários. Porém, a verdade é bem menos surpreendente. A Mesopotâmia se tornou uma potência civilizada basicamente por necessidade. Vejamos, por exemplo, a escrita. Os sumérios produziram alguns dos primeiros manuscritos descobertos, feitos em blocos de argila endurecidos. Esses blocos capturaram os aspectos mais triviais da vida, como contabilidade e registros de impostos.
Esses manuscritos mais tarde resultaram na ortografia fonética, que usa símbolos em vez de objetos para representar os sons. "Com um sistema fonético, os escribas podiam representar palavras para as quais não existiam imagens, o que tornou possível a expressão escrita de idéias abstratas", escreve o historiador Steven Kreis.
Esse é um bom exemplo de como a civilização da Mesopotâmia se desenvolveu. Da necessidade surgiu a invenção, que depois de aprimoramento, resultou na integração organizada dessas criações: a civilização.
Então, agora sabemos que os sumérios e outros mesopotâmicos desenvolveram a escrita e a literatura. Porém, nem tudo que a civilização traz para o mundo ajuda a humanidade. Leia sobre mais inovações, tanto boas quanto ruins, na próxima seção.