Recordações assistidas

Autor: 
Katherine Neer

Embora não seja freqüentemente lembrado como um grande presidente, Ulysses S. Grant ficou célebre pela maneira como transmitiu o relato dos primeiros anos de sua vida e de sua participação na Guerra de Secessão. O texto começa com uma discussão um tanto breve de seu nascimento, infância e primeira educação. Daí em diante ele leva o leitor de West Point à Guerra México-Estados Unidos, a vida na Califórnia, Shiloh, a campanha militar e finalmente a rendição em Vicksburg. Ao escrever suas memórias, Grant estabeleceu um bom critério de apoiar-se fortemente em papéis, correspondências e relatórios oficiais que ele havia preparado durante a guerra, além do auxílio de vários pesquisadores. Até hoje as memórias de Grant são comprovadamente as mais bem conhecidas, lidas e respeitadas dentre as memórias presidenciais (tecnicamente a obra não chega a ser uma memória presidencial completa, visto que Grant faleceu antes de escrever sobre seu mandato no cargo). A maioria das pessoas concorda que a história por trás das memórias de Grant é uma história quase tão boa quanto as próprias memórias.

Em suas próprias palavras sobre escrever um livro de memórias, Grant afirmou estar "determinado a nunca fazê-lo". No entanto, depois que um mal-sucedido empreendimento o deixou em terrível situação financeira, Grant foi obrigado a reconsiderar. "The Century", uma publicação que estava produzindo uma série sobre a Guerra da Secessão, pediu a Grant que escrevesse alguns artigos (pelos quais ele seria pago) sobre as várias batalhas nas quais tinha participado. O pedido de um artigo logo se tornou uma oferta para escrever um livro. Um amigo de Grant, escritor, soube da oferta para o livro e informou a Grant que a proposta financeira não era aquilo que poderia ser. O autor e amigo - um homem chamado Samuel Clemens (mais conhecido como Mark Twain) - acabara de abrir sua própria editora com um sobrinho seu, Charles L. Webster. Com uma proposta melhor nas mãos, Webster e Clemens conseguiram que Grant lhes vendesse "The Century". No fim, mais de 300 mil cópias das memórias de Grant foram vendidas, o que deu à família de Grant os meios financeiros que ele esperava e algo mais. Conta-se que a sua viúva recebeu uma quantia em direitos autorais recorde para a época, próxima a US$ 400 mil.

Em nossa alegre jornada
Em vez de aguardarem para escrever suas memórias pós-cargo, muitos aspirantes à presidência estão ganhando uma vantagem inicial em suas carreiras político-literárias. Aqui estão apenas alguns dos políticos que já pavimentaram o percurso da campanha presidencial com uma obra literária:
  • John Kerry - "Chamado ao Serviço: Minha Visão para uma América Melhor"
  • John Edwards - "Quatro Julgamentos" (com John Auchard)
  • George W. Bush - "Dever a Cumprir: Minha Jornada até a Casa Branca"
  • Bill Clinton - "Entre a Esperança e a História: Conhecendo os Desafios da América para o Século XXI"
  • Al Gore - "Terra em Equilíbrio: Ecologia e o Espírito Humano"
  • Joseph e Haddasah Lieberman - "Uma Incrível Aventura: As Observações Pessoais de Joe e Hadassah sobre a Campanha de 2000"


Fotos cedidas por Amazon.com
As publicações pré-mandato estão se tornando tão populares, se não até mais populares, quanto as pós-mandato