Biografia de Maomé

Autor: 
Sílvio Anaz

No centro de várias polêmicas no século 21, o Islamismo começou a nascer no ano 610 quando, diz a lenda, o anjo Gabriel apareceu para o árabe Abū al-Qāsim Muḥammad e contou-lhe que ele era o mensageiro de Deus (ou Alá, como o ser supremo é chamado pelos muçulmanos). Não era a primeira vez que Gabriel baixava na Terra para fazer esse tipo de anunciação. Conta-se que pouco mais de seis séculos antes, ele já havia estado por aqui para avisar à jovem e virgem Maria, moradora da cidade de Nazaré, na Galileia, que ela seria mãe do filho de Deus, cujo nome seria Jesus. E assim como Jesus, Muhammad, ou Maomé, tornou-se fundador e líder espiritual de uma das maiores religiões de todos os tempos.

Maomé
Reprodução
Retrato de Maomé publicado em 1625 no livro "Histoire générale de la religion des turcs", de Michel Baudier

Mas na maior parte de sua vida, Maomé não imaginava que um dia teria ensinamentos e revelações que o fariam ser considerado um profeta e fundariam uma religião que após quatorze séculos de existência conta com mais de um bilhão de fiéis seguidores pelo mundo. Até os quarenta anos de idade, quando Gabriel apareceu e lhe contou a novidade, Maomé levou uma vida relativamente comum para um árabe naqueles tempos, após uma infância com alguns fatos trágicos. Ele não conheceu o pai, que morreu antes dele nascer, perdeu a mãe com seis anos e o avô, que passou a criá-lo, com oito. De extraordinário mesmo, apenas o fato dele ter se tornado um homem muito belo e generoso. Contam as narrativas que seu senso de justiça e lealdade o tornaram uma das pessoas mais procuradas para decidir sobre as disputas entre as moradores da cidade árabe de Meca, onde ele nasceu e viveu boa parte de sua vida.

A trajetória de Maomé até o momento da revelação feita pelo anjo Gabriel é cercada de mistérios e pouco se sabe sobre ela. Mas, assim como aconteceu com Jesus, esse período da vida do futuro profeta acabou preenchido com versões poéticas, místicas e lendárias criadas por seus seguidores. Uma dessas histórias, no entanto, teria sido narrada pelo próprio Maomé, que disse ter sido visitado quando ainda era criança por dois anjos que teriam purificado seu coração.

Islamismo
© istockphoto.com /Elgeish
Página do Alcorão,
o livro sagrado do Islamismo

Os ensinamentos e revelações de Maomé resultaram no Alcorão, o livro sagrado do Islamismo. Desde então, muita coisa boa e muita coisa ruim tem sido feita em nome do legado de Maomé. Mais uma vez à semelhança de Jesus, o nome de um profeta ou messias tem sido usado tanto para promover conforto espiritual, paz e caridade, como para guerrear em busca de almas, poder e da destruição dos "infiéis". Para alguns estudiosos, como a escritora britânica Karen Armstrong, especialista em religiões, há muita distorção e preconceito na visão ocidental sobre a figura de Maomé, um dos homens mais notáveis que já existiram, segundo ela. Para outros, como o historiador Paul Johnson, o núcleo da doutrina ensinada por Maomé resultou numa religião imperialista em que as únicas alternativas aos não-muçulmanos são converter-se ou morrer.        

Para começar a tirar suas próprias conclusões sobre Maomé e seu legado, descubra, na próxima página, como foi sua vida desde o seu nascimento até os anos em que permaneceu em Meca, após o anjo Gabriel em forma de homem ter aparecido para ele.

Extremismo sagrado

Os textos sagrados das três grandes religiões monoteístas - Judaísmo, Cristianismo e Islamismo - têm passagens que pregam a violência e a intolerância contra aqueles que não abraçam seu deus único. Passagens da Torá, parte mais sagrada das escrituras do Judaísmo, como a que conclama os israelitas a expulsar os cananeus da Terra Prometida, têm sido usada por judeus fundamentalistas para expulsar os palestinos e recusar qualquer acordo que envolva seus "territórios sagrados". O historiador de religiões Philip Jenkins, da Penn State University, numa análise comparativa entre a Bíblia cristã e o Alcorão concluiu que o livro sagrado do Cristianismo tem passagens mais violentas e intolerantes do que o texto sagrado feito a partir dos ensinamentos de Maomé. Para o historiador, no entanto, com o passar dos anos, a agressividade e intolerância nas religiões judaico-cristãs assumiram um sentido figurado e expressões como “aniquilar o inimigo” passaram a significar combater os próprios pecados. A escritora Karen Armstrong afirma que a vida de Maomé é a trajetória de um pacifista e que fundamentalistas islâmicos ao usarem a ideia de "guerra santa" têm distorcido por completo o significado de sua vida.

Teste seus conhecimentos sobre:

Maomé