A Comissão

Uma reunião em Chigago lançou as bases para a formação de uma comissão multifamiliar da máfia. A Comissão, da qual participavam sete membros, foi composta inicialmente pelos chefões das cinco famílias de Nova Iorque juntamente com Al Capone (de Chicago) e Stefano Maggaddino (da família de Buffalo). Os membros da Comissão agiam como senadores para as outras famílias, levando os interesses destas à atenção do resto da Comissão. Por exemplo, as famílias de cidades da costa oeste eram quase todas representadas pelo chefão de Chicago. Atividades com grande potencial de lucro, bem como assassinatos e seqüestros, precisavam ser aprovados antes pela Comissão. O ingresso na Comissão era definido em assembléias nacionais da máfia, realizadas a cada cinco anos.

Uma dessas assembléias tornou-se palco de um famoso episódio na história da máfia - a Batida de Apalachin. Em 14 de novembro de 1957, chefões (dons) de várias partes do país se reuniram em uma cidadezinha do Estado de Nova Iorque, próxima à fronteira com a Pensilvânia. A desconfiança de um guarda estadual resultou em uma batida policial que colocou 58 gângsteres na berlinda - e, em muitos casos, atrás das grades. A batida desferiu um golpe certeiro contra a máfia, mas seus impactos foram muito além disso. O público norte-americano já não podia mais negar a existência da máfia.

A Comissão vem encolhendo desde sua formação - algumas famílias perderam influência e já não enviam representantes. Atualmente, há rumores de que ela ainda existe, mas está restrita principalmente à costa leste e nem de longe tem o poder que tinha nos dias de Lucky Luciano.

Rumores envolvendo os Kennedy
Os rumores sobre a ligação dos Kennedy com a máfia remontam ao pai de John F. Kennedy, Joe Kennedy, que, segundo dizem, teria amealhado boa parte da fortuna da família fabricando bebidas alcoólicas clandestinamente, além de possuir ligações com gângsteres como Meyer Lansky. Quando JFK enfrentou Hubert Humphrey nas eleições primárias do Partido Democrata, em 1960, muitos acusaram o clã dos Kennedy de recorrer a conexões com a máfia para garantir uma votação favorável. Acusações semelhantes foram feitas durante a campanha presidencial disputada contra Richard Nixon, que Kennedy venceu por uma estreita margem de votos.

Várias teorias ligam o assassinato de JFK à máfia. Jack Ruby, o homem que matou Lee Harvey Oswald (acusado de assassinar JFK), era um conhecido associado da máfia. Uma das teorias atribui razões à máfia devido à frustrada tentativa de invasão de Cuba pela Baía dos Porcos. Segundo consta, a máfia odiava que Cuba estivesse nas mãos de Fidel Castro, pois este a expulsara de seu lucrativo negócio nos cassinos cubanos quando tomou o poder. A invasão foi um terrível fracasso, que alguns atribuem ao fato de Kennedy ter se recusado a aprovar apoio aéreo.

Outra teoria aponta para o irmão de JFK, Robert, indicado para o cargo de Procurador-Geral por JFK, depois que este se elegera presidente. Uma vez nomeado, Robert Kennedy imediatamente deu início a uma "caça" aos mafiosos. Robert também morreu assassinado.

Um outro rumor especula que JFK tinha várias amantes e namoradas, algumas das quais eram conhecidas associadas de mafiosos. Alguns indícios, inclusive escutas telefônicas feitas por autoridades federais, mostram que o gângster Sam Giancana pode ter armado situações comprometedoras envolvendo JFK e várias mulheres, ao mesmo tempo em que registrava provas dos casos extraconjugais do presidente. Alguns teóricos da conspiração especulam que assassinos de aluguel enviados por Giancana foram os responsáveis pela morte de Marilyn Monroe, uma das supostas namoradas de JFK. O próprio Giancana foi morto pouco antes de depor sobre as conexões entre a máfia e os Kennedy.