Iniciação na máfia

Autor: 
Ed Grabianowski

Joe Valachi
na prisão de La Tuna, Texas

Os detalhes de uma cerimônia de iniciação na máfia foram guardados a sete chaves por décadas. Porém, no começo da década de 60, o depoimento de Joe Valachi a uma subcomissão do Senado trouxe a máfia para debaixo dos holofotes. A descrição a seguir se refere à cerimônia conduzida pela máfia siciliana e pela maioria das famílias mafiosas norte-americanas. Dependendo das circunstâncias, como uma iniciação feita na prisão ou uma rápida cerimônia em meio a uma disputa de gangues, alguns detalhes podem ser diferentes.

Primeiro, o candidato a gângster simplesmente recebe uma ordem para "se aprontar" ou "se vestir". Em seguida ele é levado para um local privado onde ocupará lugar em uma longa mesa, bem ao lado do chefão. Os outros mafiosos presentes unem as mãos e recitam juramentos e promessas de lealdade. Depois, o iniciando deve segurar um pedaço de papel em chamas. Em algumas famílias, o novo soldado fará dupla com um mafioso mais experiente que servirá de "padrinho", alguém que o guiará na vida mafiosa. O iniciando deve então jurar lealdade por toda a vida à família e, em seguida, retira-se uma gota de sangue de seu dedo indicador.

No entanto, é preciso mais do que um juramento e uma gota de sangue para fazer parte da máfia. Somente homens de ascendência italiana são admitidos. Em algumas famílias é preciso ter pai e mãe italianos, ao passo que outras exigem apenas pai italiano. O futuro gângster ainda deve demonstrar que tem uma queda por fazer dinheiro ou, no mínimo, disposição para cometer atos de violência se receber ordem para isso. Em geral, o criminoso deverá passar em um teste antes de ser considerado para a iniciação, o que, segundo rumores, envolve a participação em algum homicídio.

Há um último obstáculo que alguns gângsteres precisam vencer antes de se tornarem homens feitos: a Comissão. Nas décadas de 20 e 30, as famílias mafiosas dos Estados Unidos viviam quase constantemente em guerra umas com as outras. Era comum que elas recrutassem soldados às dúzias, de maneira que as famílias rivais não soubessem que eram inimigos. Os novos recrutas podiam facilmente se aproximar dos membros de outras famílias e assassiná-los. Para acabar com isso, a Comissão passou a exigir que todas as famílias fizessem uma lista de seus potenciais membros para circular entre as demais famílias. Além de eliminar a questão dos membros desconhecidos, a medida também permitiu que os chefões riscassem candidatos envolvidos em problemas com as outras famílias. Se estes candidatos se tornassem homens feitos, desavenças pessoais poderiam acabar em violentas disputas entre as famílias.