A maçonaria nos Estados Unidos

Autor: 
Stephanie Watson

Com toda a controvérsia que cercava a maçonaria na Europa, não é de se admirar que seus membros também tenham saído em busca de paradeiros mais amigáveis. No século 18, os maçons chegaram à América e estabeleceram lojas em Boston e Filadélfia (embora continuassem sob o controle do Grande Mestre provincial da Inglaterra). Em 1731, Benjamin Franklin aderiu à loja de Filadélfia, e se tornou seu mestre três anos mais tarde. George Washington foi iniciado como maçom em 1752.

Enquanto o país ainda começava a se preparar para escapar ao domínio britânico, consta que os maçons estavam entre os principais instigadores da revolta. Existe uma história de que havia maçons entre as dezenas de homens que, disfarçados de indígenas, abordaram três navios britânicos no porto de Boston, em 16 de dezembro de 1773, e lançaram centenas de caixotes de chá ao mar, o evento que deflagrou a revolução dos Estados Unidos. A presença de maçons na chamada "festa do chá em Boston" é discutível, mas não existem dúvidas de que havia integrantes do movimento entre os signatários da declaração da independência e da constituição dos Estados Unidos.

Revolta do Chá
Foto cortesia de The Digital Cultures Project: A University of California Multi-Campus Research Group
Ilustração que retrata a revolta do chá em Boston em 1846

Depois da revolução, as lojas maçônicas norte-americanas se separaram de sua origem britânica e foram reorganizadas sob o controle de Grandes Lojas estaduais. Embora essas lojas jamais tenham sido centralizadas sob qualquer autoridade formal, elas se reconheciam como fraternidades mútuas. Duas formas diferentes de maçonaria vieram a existir nos Estados Unidos, o rito escocês (que segue as tradições inglesas) e o rito de York (que segue as tradições francesas).

Os Shriners

Em 1870, surgiu uma nova organização entre os maçons, com o nome de "Antiga Ordem Árábica dos Notáveis do Templo Místico", mais conhecida como "shriners". Para se tornar um shriner, um homem precisa primeiro ascender ao terceiro grau (mestre maçom) na Loja Azul. Depois de se tornar mestre maçom, o candidato pode se tornar parte de qualquer grupo maçom que tenha como pré-requisito a Loja Azul da maçonaria. Os shriners são conhecidos:

  • pelo uso de um fez vermelho, em tributo à herança árabe da organização;
  • pela atitude descontraída - os membros muitas vezes são palhaços em circos e festas populares;
  • pela grande filantropia - os shriners operam hospitais em todo o país que tratam crianças gratuitamente.

Na virada do século 20, havia 860 mil maçons nos Estados Unidos. Por volta da década de 30, o número havia subido a dois milhões, e continuou a crescer.