A histeria em massa é um problema desde o início da humanidade. Adolf Hitler causou frenesi em uma quantidade suficiente de pessoas para justificar o assassinato de milhões de judeus. Jesus Cristo foi crucificado porque alguns oficiais de alto escalão se sentiram ameaçados por ele. É de se esperar que as pessoas aprendessem algumas lições com os erros do passado, mas parece que a história está fadada a se repetir.
![]() Hank Walker/Time Life Pictures/Getty Images Joseph R. McCarthy expõe seu ponto de vista de maneira enérgica em uma audiência do Comitê Judiciário do senado |
Então, aparece o senador Joseph McCarthy. Embora ele não tenha causado um genocídio nem assassinado um profeta, ele foi capaz de provocar histeria na América do Norte no início da década de 50. O assunto escolhido por McCarthy foi o comunismo. O American Heritage Dictionary (em inglês) define o macarthismo como "a prática política de publicar acusações de deslealdade ou subversão sem as evidências necessárias".
O comunismo, em termos simples, é um sistema econômico desenvolvido para beneficiar igualmente todas as pessoas na sociedade. A idéia é que todos contribuam para a sociedade e recebam uma quantidade igual de propriedades e bens. Os sistemas comunistas geralmente são controlados por governos ditatoriais ou totalitários (pense na China, em Cuba e na Coréia do Norte).
Na década de 50, o comunismo não era exatamente uma preocupação nova para os Estados Unidos. Após as conseqüências da Primeira Guerra Mundial, o país sofreu o Primeiro Pânico Vermelho (o "vermelho" é uma gíria para comunismo). A Rússia tinha um novo governo comunista como resultado da Revolução Bolchevique, em 1917, e o ditador Vladimir Ilyich Ulyanov (Lenin) tinha assassinado brutalmente cerca de 9 milhões de pessoas por resistirem aos seus ideais [fonte: The History Guide (em inglês)]. Toda essa revolta preocupou os norte-americanos, então os legisladores decidiram prevenir a proliferação do comunismo para os Estados Unidos impondo a Lei de Sedição e a Lei da Espionagem. O Primeiro Pânico Vermelho foi caracterizado pela crueldade do governo dos EUA em identificar e atacar os suspeitos comunistas.
Quando McCarthy ganhou um lugar no senado, em 1946, a Segunda Guerra Mundial havia acabado e a Guerra Fria estava começando. Os governos comunistas haviam tomado posse da Europa Oriental e da China, e os norte-americanos estavam cada vez mais preocupados com isso e com os boatos de que oficiais de alto escalão do governo dos EUA eram comunistas disfarçados. McCarthy se aproveitou do medo crescente, porém, como não era exatamente ilegal ser comunista, ele começou a acusar pessoas de subversão, que é "uma tentativa sistemática de dominar ou acabar com um governo ou um sistema político por meio de pessoas trabalhando dentro das organizações" [fonte: Merriam-Webster's Dictionary of Law (em inglês)]. Tudo começou quando essas pessoas foram processadas por vender ou oferecer informações confidenciais de segurança norte-americanas para governos comunistas.
Neste artigo, veremos os fundamentos do comunismo e as táticas de entrevista de McCarthy e conheceremos as evidências recentes em relação à presença comunista nos Estados Unidos na época do macarthismo. Também aprenderemos sobre o impacto das acusações de McCarthy na vida dos acusados e nos EUA como um todo.