John Locke e o empirismo

John Locke nasceu em 29 de agosto de 1632, em Somerset, na Inglaterra. Filho de um advogado rural, que lutou ao lado dos parlamentaristas na guerra civil que eclodiu em 1642, Locke deve exatamente a esse fato a oportunidade que teria de estudar na Westminster School, em Londres, considerada a melhor do país na época. Essa educação mudou a vida de Locke, pois foi graças a ela que ele pôde desenvolver seu talento excepcional.

Locke foi educado num lar parlamentarista, mas em Westminster fez amizade com vários alunos monarquistas. Durante sua vida ele assistiria a essa intensa disputa que tomou conta da Inglaterra naqueles tempos. Locke deixou Westminster quando tinha 20 anos de idade. Ele matriculou-se na Christ Church, em Oxford, para estudar lógica, metafísica e os clássicos – a Universidade de Oxford permanecia naquele momento na era medieval. O maçante ensino, que ignorava as novidades da época, como a filosofia de Descartes e os progressos da ciência e da matemática, estimulou Locke a buscar novos desafios, e ele os encontrou nas experiências químicas e na medicina.

Após se graduar na Christ Church, Locke tornou-se membro do corpo docente (fellow) da universidade. Nessa época seu pai morreu e deixou para ele como herança várias propriedades cujos aluguéis seriam suficientes para sustentá-lo pelo resto da vida. Ele começou também a se corresponder com várias mulheres, mas apesar dos inúmeros flertes, aos quais era correspondido, ele parece não ter levado nenhuma dessas relações platônicas à frente.

Já os objetivos acadêmicos de Locke o levaram até a obra de Descartes. Finalmente, aos 34 anos de idade, ele descobria que a filosofia era sua principal área de interesse. Além de levar à superação dos pensamentos de Aristóteles e da escolástica que dominavam a filosofia há quase dois milênios, Descartes deu ao processo de conhecimento do mundo alicerces mais seguros a partir da razão e da dedução. Mas Locke discordou que a dedução seria o melhor caminho para se alcançar a verdade. Para ele, somente poderia se chegar à verdade do mundo mediante a indução, ou seja, o método científico.

Locke começou então a construir seu pensamento. Nele, ele destronou a razão de Descartes para colocar em seu lugar a experiência. Segundo Locke, não temos nada parecido com ideias intuitivas. Somos uma folha em branco (tábula rasa) e é somente a partir da experiência externa e da reflexão (introspecção) que construímos nosso conhecimento. A razão é utilizada para chegarmos às conclusões a partir dessas experiências e daí fazemos as generalizações e as leis. Nascia o empirismo na filosofia moderna, que teria como seguidores Berkeley e David Hume, entre outros.