Leibniz: aristocracia, lógica e matemática

Gottfried Wilhelm Leibnütz nasceu em 1.º de julho de 1646 em Leipzig, na Alemanha. Seu pai era professor de filosofia moral na Universidade de Leipzig e morreu quando Leibniz tinha cinco anos de idade. Ele e os irmãos foram criados pela mãe Catherina, que o influenciou profundamente. Uma de suas principais virtudes, a de não falar mal de ninguém, foi herdada de sua mãe.

Leibniz (ele mudou o nome familiar de Leibnütz para Leibniz ao completar 20 anos de idade), apesar de ter frequentado a escola, desenvolveu parte de sua educação em casa, de forma autodidata ao explorar a biblioteca do pai. Ele lia obsessivamente vários livros ao mesmo tempo. Quando tinha 14 anos foi para a Universidade de Leipzig, onde cursou Direito. Mas ele não se limitou a conhecer as leis alemãs e se interessou pelas leis das ciências, da filosofia e da política. Conheceu as obras de Galileu, Descartes e Hobbes. Além disso, em seu tempo livre, se dedicava à alquimia e também escreveu um trabalho sobre código binário em matemática que antecipava o que Alan Turing faria três séculos depois ao inventar o computador. Leibniz brilhantemente concluiu que o código binário é ideal para um sistema mecânico que trabalhasse com operações de sim-não ou cheio-vazio. Ele chegou a esboçar uma máquina calculadora que utilizava-se dessa sua descoberta matemática, mas aqueles tempos não ofereciam tecnologia suficiente para construí-la

Aos 20 anos de idade ele não pôde se tornar doutor em Direito em Leipzig porque o consideraram muito jovem. Ele se mudou para Nuremberg onde não só conseguiu o título de doutor como também recebeu uma oferta para lecionar, que recusou em função de suas ambições. Ele conseguiu um cargo menor na corte de Mainz (Mogúncia), como conselheiro do arcebispo e príncipe Johann Philip von Schönborn. Em uma de suas primeiras missões, Leibniz propôs um plano engenhoso ao príncipe para tentar conter os anseios expansionistas em direção à Alemanha (ou Sacro Império Romano Germânico, como a surrealista aglutinação dos principados germânicos se chamava) do rei Luis 14, da França. O plano era convencer o rei francês a empreender uma cruzada para conquistar o Egito e, nessa guerra santa contra os “infiéis”, ele levaria consigo outros países europeus desviando o foco da expansão da França católica em direção aos principados alemães protestantes. Leibniz foi enviado a Paris com a missão de convencer o rei e o governo francês.

Leibniz passou quatro anos em Paris, embora ficasse claro desde sua chegada que seu plano dificilmente seria levado a sério pelos franceses. Independente disso, ele passou a circular elegantemente trajado na aristocracia francesa. Lá assim como em outras corte por onde desfilou seu brilho intelectual, Leibniz conquistou duquesas e princesas que o ampararam durante toda sua vida.

Em sua temporada na França, Leibniz começou a desenvolver importantes conceitos matemáticos e lógicos. No fim, ele chegou a inventar o cálculo (integral e diferencial), apesar de que esse campo matemático já havia sido inventado por Isaac Newton. Mas Leibniz teria desenvolvido esse trabalho antes de conhecer o de Newton e acabou divulgando-o primeiro que o físico inglês, o que gerou uma enorme polêmica.